Minha Casa Minha Vida redesenha mercado de aluguéis

Redação ImobiPress

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Publicado em 01/05/2025 às 14:00 / Leia em 3 minutos

Para o economista Rafael Rossi, diretor proprietário da Conviva Stay, mudanças no programa podem impactar preços, dinamizar aluguéis e estimular a profissionalização do setor imobiliário

A criação de uma nova faixa de renda no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) promete trazer impactos não apenas na aquisição da casa própria, mas também na dinâmica do mercado de aluguel. Essa é a opinião de Rafael Rossi, que é economista e diretor proprietário da Conviva Stay, gestora profissional de locações short e long stay

Para ele, a ampliação do acesso ao crédito para famílias de renda intermediária tende a estimular a procura por imóveis com melhor localização, metragem e padrão de acabamento — características valorizadas tanto por compradores quanto por locatários. “Embora o programa não se destine a investidores, essa movimentação pode gerar uma recomposição da ocupação nas cidades, liberando unidades no mercado secundário para diferentes usos, inclusive aluguel”, afirma.

Com a expansão das faixas de renda, ainda que não se preveja diretamente a locação de imóveis adquiridos via MCMV, Rossi aponta para um efeito indireto relevante: o aumento da profissionalização dos serviços de gestão de aluguel. “À medida que mais famílias conseguem adquirir imóveis melhores, unidades antigas e fora do programa podem ser colocadas para alugar. É nesse mercado secundário que se observa uma demanda crescente por gestão profissional de locações — especialmente em áreas urbanas com alta rotatividade de moradores.”

O executivo também destaca que as mudanças no programa podem afetar o segmento de aluguel popular. A facilidade de financiamento para famílias de menor renda pode reduzir a pressão sobre a demanda por locações em bairros periféricos ou com menor infraestrutura urbana. “Esse movimento pode incentivar proprietários a modernizar seus imóveis de aluguel, em busca de diferenciação e manutenção da atratividade para quem ainda opta por não comprar”, avalia.

Novos empreendimentos e impacto no aluguéis

Nas áreas urbanas mais consolidadas, com escassez de terrenos e preços mais elevados, a influência das novas regras pode ser mais limitada, mas ainda relevante. “Com o aumento dos tetos e a ampliação das faixas de renda, algumas dessas áreas podem voltar ao radar da produção habitacional. Caso isso ocorra em escala, pode contribuir para uma certa acomodação de preços, especialmente em bairros com infraestrutura consolidada e boa mobilidade”, diz, com uma ressalva: “Ainda assim, outros fatores — como turismo, atividade econômica e dinâmica estudantil — continuam sendo determinantes no comportamento dos aluguéis urbanos.”

Apesar das mudanças positivas, Rossi ressalta que elas são insuficientes para resolver o déficit habitacional brasileiro. Ele defende que a política habitacional precisa estar integrada a iniciativas de transporte, saneamento, requalificação de áreas centrais e a modelos inovadores de moradia, como o built-to-rent e o aproveitamento de imóveis subutilizados. “É necessário fomentar modelos inovadores de moradia, inclusive voltados para aluguel, como o built-to-rent e o uso habitacional de imóveis subutilizados. O setor privado também tem um papel importante nisso — com criatividade, escala e compromisso com a qualidade urbana”, conclui.

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