Modalidade de crédito pode ajudar a financiar mudanças estruturais que aumentam segurança, autonomia e qualidade de vida
Envelhecer em casa, com autonomia e qualidade de vida, tem se consolidado como uma das principais tendências entre brasileiros com mais de 50 anos. Conhecido globalmente como aging in place, o movimento reflete o desejo de permanecer no próprio lar mesmo com o avanço da idade, mas também traz um desafio prático: a adaptação dos imóveis para atender novas necessidades de mobilidade, segurança e conforto.
No Brasil, essa discussão ganha relevância em meio ao envelhecimento acelerado da população. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pessoas com 50 anos ou mais já representam cerca de 29% da população, podendo chegar a 40% até 2044. Ao mesmo tempo, o país apresenta alto índice de moradia própria: 72,7% dos brasileiros vivem em imóveis próprios, sendo mais de 60% já quitados, um patrimônio significativo que pode ser utilizado de forma estratégica ao longo da vida.
Nesse contexto, o crédito com garantia de imóvel, conhecido como Home Equity, começa a ganhar espaço como uma alternativa para viabilizar reformas e adaptações que permitam uma vida mais segura dentro de casa.
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“O envelhecimento traz novas necessidades, e muitas casas não estão preparadas para isso. O que vemos é que parte da população tem o imóvel quitado, mas não necessariamente dispõe de liquidez para realizar essas adaptações. O home equity pode ajudar a viabilizar esse tipo de investimento com um custo mais baixo e planejamento de longo prazo”, afirma Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.
Do ponto de vista financeiro, o Home Equity se diferencia por oferecer taxas mais baixas e prazos mais longos em comparação a outras linhas de crédito, justamente por utilizar o imóvel como garantia. Isso permite que o recurso seja utilizado não apenas para emergências, mas como parte de um planejamento mais estruturado.
“Existe uma mudança importante na forma como o imóvel é percebido. Ele deixa de ser apenas um patrimônio estático e passa a ser utilizado como ferramenta para melhorar a qualidade de vida ao longo do tempo. No caso das reformas para envelhecimento, isso fica ainda mais evidente”, completa Casagrande.
A tendência de adaptação do lar também dialoga com transformações mais amplas no comportamento dessa faixa etária. Com maior expectativa de vida e busca por bem-estar, brasileiros 50+ passam a priorizar soluções que combinem segurança, autonomia e planejamento financeiro, seja permanecendo em casa ou avaliando novas alternativas de moradia.
Entre as principais adaptações realizadas para o envelhecimento no lar estão:
- Instalação de barras de apoio e corrimãos
- Adequação de banheiros (como box sem degrau e pisos antiderrapantes)
- Melhoria da iluminação e eliminação de obstáculos
- Automação residencial para facilitar tarefas do dia a dia
- Reformas estruturais para acessibilidade, como rampas e portas mais largas
Além da segurança, essas mudanças também impactam diretamente a autonomia e a qualidade de vida. Segundo especialistas, adaptar a casa pode reduzir riscos de acidentes domésticos, uma das principais causas de internação entre idosos, e permitir que a pessoa permaneça independente por mais tempo.