Com renda pressionada e preocupação com o futuro, público depois dos 40 anos passa a estudar alternativas para gerar renda
A busca por renda alternativa deixou de ser apenas uma resposta ao orçamento apertado. Para muitos brasileiros, especialmente depois dos 40 anos, ela também passou a fazer parte de uma preocupação maior: construir patrimônio, diversificar fontes de renda e chegar à aposentadoria com mais segurança.
Pesquisa recente divulgada pelo Datafolha mostrou que 45% dos brasileiros afirmaram ter buscado renda alternativa nos últimos meses. No mesmo levantamento, 59% disseram que a renda familiar era insuficiente para pagar as despesas, em algum grau.
Esse movimento também aparece entre pessoas interessadas em imóveis de leilão. Um levantamento feito por Thaisline Silva, especialista em crédito imobiliário e financiamento para aquisição de imóveis, registrou que 78% do público interessado nesse tipo de investimento tinham 41 anos ou mais, em um universo de 994 pessoas de diferentes regiões do Brasil. Entre eles, 41% estavam acima dos 50 anos.
As respostas mostram um padrão: liberdade financeira, renda passiva, aposentadoria, casa própria, segurança para a família e construção de patrimônio aparecem de forma recorrente entre os principais objetivos de quem busca entender esse mercado.
“O que a gente tem visto é um público mais maduro procurando o leilão não por curiosidade, mas por projeto de vida. São pessoas que querem uma segunda fonte de renda, uma aposentadoria mais tranquila, um patrimônio mais sólido e mais segurança para a família”, afirma Thaisline.
Renda extra vira planejamento de futuro
Aos 40, 50 ou 60 anos, a busca por renda alternativa costuma ganhar outro peso. Não se trata apenas de complementar o mês, mas de olhar para os próximos anos com mais autonomia. No levantamento feito pela especialista, aparecem relatos de pessoas que querem sair da dependência de uma única renda, criar patrimônio para os filhos, complementar a aposentadoria, viver de aluguéis ou transformar a compra e venda de imóveis em uma nova frente profissional.
Para Thaisline, essa faixa etária tende a buscar caminhos mais concretos porque já sente, na prática, a necessidade de construir proteção financeira.
“Depois dos 40, a pessoa normalmente não quer apenas testar uma ideia. Ela começa a pensar em futuro, em família, em aposentadoria e em patrimônio. O imóvel de leilão entra no radar porque é um ativo real, mas é preciso ter conhecimento para fazer esse movimento com 100% de segurança”, diz.
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Por que os leilões entram nesse radar
Os imóveis de leilão chamam atenção porque podem ser ofertados com descontos que chegam a 70%, quando comparado aos imóveis do mercado tradicional.
A diferença de preço, no entanto, é apenas uma parte da decisão. Segundo Thaisline, o comprador precisa entender a modalidade da venda, a forma de pagamento, o edital, a matrícula, a situação do imóvel, os custos da operação e a viabilidade de crédito quando a compra envolve financiamento.
“O imóvel de leilão não precisa ser visto como algo difícil ou cheio de pegadinhas. Ele tem regras. Quando a pessoa aprende a ler o edital, entende a forma de pagamento e faz a análise de crédito antes, o processo fica muito mais claro”, explica.
A especialista reforça que o caminho não deve ser visto como fórmula rápida de enriquecimento, mas como uma possibilidade de construir um negócio sólido e lucrativo para quem estuda o processo.
“Não é sobre sair dando lance. É saber o que procurar. O edital mostra as regras, a matrícula mostra a história do imóvel e o crédito mostra se aquela oportunidade cabe na realidade da pessoa”, afirma.
Crédito ajuda a colocar a oportunidade no tamanho certo
Um dos pontos que diferenciam esse mercado, segundo Thaisline, é a relação entre leilão e crédito imobiliário. Muitos interessados chegam acreditando que precisam ter todo o dinheiro à vista para comprar, enquanto outros imaginam que o financiamento será resolvido automaticamente depois da arrematação. Os dois extremos podem atrapalhar.
A análise de crédito feita antes do lance ajuda a entender até onde o comprador pode ir, quais imóveis fazem sentido para o perfil financeiro dele e quais oportunidades devem ficar de fora.
“O crédito coloca a realidade na oportunidade. Ele mostra qual é o limite da operação, qual entrada pode ser necessária, que tipo de imóvel pode ser financiado e se aquela compra faz sentido para o objetivo da pessoa”, diz.
Essa lógica é especialmente importante para quem quer construir patrimônio depois dos 40. Nessa fase, o comprador costuma olhar não apenas para o preço do imóvel, mas também para a possibilidade de revenda, aluguel, renda futura ou formação de uma carteira de ativos.
“Antes de olhar só para o desconto, é preciso entender se o imóvel é comprável, financiável e vendável. Um bom negócio não nasce apenas do preço baixo. Nasce da combinação da margem de lucro e do tempo de venda desse imóvel”, afirma Thaisline.
Aposentadoria, família e autonomia
No levantamento feito pela especialista, muitas respostas associam o interesse por imóveis de leilão a uma preocupação familiar. Há pessoas que mencionam o desejo de deixar patrimônio para os filhos, cuidar dos pais, sair do aluguel, ter mais tempo com a família, complementar a aposentadoria ou construir uma renda futura.
Para Thaisline, esse comportamento mostra que o interesse pelo tema vai além da ideia de lucro.
“Muita gente acha que quem procura imóvel de leilão está olhando só para ganho financeiro. Mas eu vejo muitas pessoas buscando segurança, casa própria, aposentadoria melhor e tranquilidade para a família. Quando existe método, esse mercado fica mais compreensível”, afirma.
Não é difícil, mas exige ordem
Thaisline defende que o mercado de imóveis de leilão seja tratado com menos medo e mais informação. Para ela, o processo fica mais simples quando o interessado segue uma ordem: buscar imóveis em fontes oficiais, ler o edital, conferir a matrícula, entender a forma de pagamento, avaliar custos, verificar a possibilidade de financiamento e estudar a liquidez do imóvel antes do lance.
Segundo a especialista, o aumento do interesse de pessoas acima dos 40 anos reforça a necessidade de educação nesse mercado. Mais do que vender a ideia de ganho rápido, o papel da informação é mostrar como uma alternativa pode ser avaliada com responsabilidade.
“Construir patrimônio não é uma decisão de impulso. É uma sequência de boas escolhas. O imóvel de leilão pode fazer parte desse caminho, desde que a pessoa aprenda a analisar antes de agir”, conclui.