O alargamento da praia tende a elevar o valor do metro quadrado frente-mar porque valoriza um atributo naturalmente escasso: a proximidade com o mar. Ao ampliar a faixa de areia e qualificar a experiência da orla, a intervenção reforça a atratividade dos imóveis localizados neste entorno. Estudos de precificação hedônica nos Estados Unidos associam cada aumento de 10% na largura da faixa de areia a uma valorização média de 2,6% nos imóveis próximos à orla. Em Santa Catarina, esse padrão deixou de ser teoria e passou a orientar a decisão de compra.
O mercado imobiliário do litoral norte catarinense vem registrando, nos últimos anos, um movimento que se repete com regularidade suficiente para ser chamado de padrão: a infraestrutura pública muda o valor do metro quadrado antes mesmo de qualquer lançamento ser anunciado.
O caso Balneário Camboriú, e por que ele importa
Balneário Camboriú concluiu sua obra de alargamento de praia em 2021. Não foi imediato, mas nos anos seguintes a cidade se consolidou como a de metro quadrado mais caro do Brasil. Hoje, Itapema segue o mesmo roteiro: iniciou em 2026 uma obra de R$60 milhões na Meia Praia e já disputa, praticamente empatada, a liderança do Índice FipeZAP nacional com a vizinha. Balneário Piçarras, que concluiu sua própria obra em abril deste ano, está entrando agora na fase inicial desse mesmo ciclo. O padrão é sempre o mesmo. Primeiro vem a obra, depois vem o comprador atento, e só depois vem o aumento de preço percebido por quem chegou atrasado.
LEIA TAMBÉM: Empreendimentos imobiliários guiados pelo urbanismo valem mais
Mas afinal, o que muda quando a praia fica mais larga
Não é só estética. Uma faixa de areia mais larga significa mais espaço de lazer, mais segurança contra erosão costeira e, tecnicamente, mais distância de proteção para os empreendimentos frente-mar. É essa combinação, e não apenas a paisagem, que o mercado precifica. Balneário Piçarras encerrou em abril a obra de alargamento da Praia Central. São 2,43 quilômetros de orla, ganho médio de 30 metros de areia, investimento superior a R$53 milhões. Aplicando a metodologia internacional a esse caso, o potencial de valorização projetado para os imóveis da orla chega perto de 40%.