Famílias voltam a procurar plantas maiores, baixa densidade e ambientes que os acompanhem, para viver diferentes fases da vida
Durante os últimos anos, boa parte dos lançamentos imobiliários nas grandes cidades foi orientada por unidades compactas, voltadas tanto a moradores que buscavam praticidade quanto a investidores interessados em locação. Esse modelo continua relevante, mas começa a dividir espaço com outro movimento: a procura por imóveis pensados como residência definitiva.
No segmento de alto padrão, famílias voltam a valorizar plantas maiores, três ou quatro suítes, ambientes flexíveis e empreendimentos com poucas unidades. Mais do que comprar um endereço ou acompanhar uma tendência de mercado, esse público procura uma casa capaz de atender às mudanças da rotina ao longo dos anos.
Espaço para os filhos, possibilidade de trabalhar em casa, áreas destinadas ao convívio e ambientes de bem-estar passaram a fazer parte dessa decisão. Segurança, privacidade e proximidade de serviços também ajudam a explicar por que moradores de casas consideram a mudança para apartamentos sem abrir mão do conforto.
“Percebemos um comprador mais atento à experiência de morar. Ele não está olhando somente para o momento atual, mas procurando entender se aquele imóvel continuará atendendo à família daqui a cinco, dez ou 15 anos. Isso faz com que plantas bem resolvidas, ambientes flexíveis e espaços de convivência tenham um peso cada vez maior na escolha”, afirma Rodrigo Linhares Porto, diretor da Porto Camargo.
A mudança também aparece na relação do comprador com o bairro. Em vez de deixar uma região onde já construiu vínculos, parte das famílias procura permanecer próxima de escolas, comércio, serviços, áreas verdes e da rede de convivência formada ao longo dos anos. Há ainda quem retorna aos bairros centrais depois de viver em regiões mais afastadas, buscando reduzir deslocamentos e simplificar a rotina.
Nesse contexto, a baixa densidade torna-se um atributo valorizado. Empreendimentos com menos apartamentos oferecem maior privacidade e ajudam a preservar uma atmosfera residencial, ao mesmo tempo que reúnem estruturas de lazer, segurança e bem-estar difíceis de manter em uma casa.
“Não se trata apenas de oferecer uma metragem maior. O projeto precisa compreender como as pessoas vivem e como essa vida pode mudar. Um imóvel de longa permanência deve acomodar diferentes momentos da família, preservar a privacidade e, ao mesmo tempo, criar espaços que favoreçam o encontro e o bem-estar”, diz Diogo Linhares Camargo, diretor da Porto Camargo.
Para Rodrigo, empreendimentos voltados à longa permanência também exigem atenção ao entorno.
“Quando uma família escolhe um imóvel para morar por muitos anos, ela não compra apenas o apartamento. Compra também a relação com o bairro, os deslocamentos cotidianos e a possibilidade de realizar parte da rotina a pé. Por isso, a escolha do terreno é uma das decisões mais importantes de um projeto”, afirma.
A retomada do interesse por residências mais duradouras não representa o fim dos compactos, mas mostra que o mercado está se tornando mais diversificado. Enquanto unidades menores atendem investidores, jovens e moradores com rotinas mais dinâmicas, cresce também a demanda por imóveis que ofereçam espaço, privacidade e condições para a família criar raízes.
“Uma residência definitiva precisa continuar fazendo sentido mesmo quando a vida muda. O desafio da incorporação é desenvolver projetos que não respondam apenas a uma tendência passageira, mas permaneçam confortáveis, funcionais e desejados ao longo do tempo”, conclui Diogo