Em meio à rotina acelerada, arquiteto revela como a arquitetura materializa as necessidades humanas, em ambientes que inspiram o descanso e projetos voltados para a leitura, música, contemplação e pausas reais
O dia começa antes mesmo de sair da cama, geralmente, com o celular repleto de notificações de mensagens, o jornal da manhã bombardeando notícias, trânsito a caminho do trabalho, reuniões que parecem intermináveis e uma rotina que atravessa horas a fio. Quando finalmente se chega em casa, você tem àquele lugar para desacelerar? O arquiteto Bruno Moraes, à frente do escritório BMA Studio explica um pouco sobre isso.
“Hoje existe uma busca muito forte por ambientes que ativem em nós as sensações de calma e pertencimento. Eu vejo que a casa contemporânea passou a ser um espaço essencial para a recuperação emocional”, relativiza.
Ele afirma que não existe uma regra para elaborar esses cômodos e tudo se forma a partir da sensibilidade da escuta que é promovida com o cliente e citou alguma ideias:
Para se acomodar
Nem todo espaço da casa precisa ser prático ou funcional. Em muitos projetos residenciais, elabora extensões para que a arquitetura de interiores inspire a pausa. O mobiliário exerce papel fundamental ao dispor de uma poltrona confortável próxima à janela, bancos integrados à marcenaria na varanda e até balanços suspensos que convidam à permanência.
São lugares idealizados para se conjugar verbos que acessam o cerne da existência humana: o sentar como exercício de estar consigo mesmo, deitar-se, respirar fundo e observar a luz natural mudar ao longo do dia.
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“São áreas onde as pessoas podem simplesmente diminuir o ritmo. Às vezes, um único móvel bem posicionado já modifica completamente a experiência da casa”, enfatiza o arquiteto.
Leitura em dia
Entre os espaços mais recorrentes nos projetos estão os cantos de leitura, preferencialmente localizados próximos à iluminação natural, em áreas antes pouco utilizadas ou integrados às salas, porém de maneira discreta.
Com uma biblioteca particular, iluminação indireta, poltronas confortáveis em tecidos aconchegantes, os habitantes cultivam o amor pela literatura e experienciam a mágica que as obras exercem ao transpor nossas mentes nos locais e histórias narrados pelo autor. “Sem dúvidas, a tônica do ambiente é focada no acolhimento”, argumenta o profissional.
O poder da música
Em contraponto ao consumo acelerado das plataformas digitais, alguns ambientes resgatam a experiência de ouvir e de se fazer música, seja em um estúdio particular, lounges intimistas, salas integradas com acústica confortável e nichos para vinis e equipamentos de som. De acordo com o arquiteto, esses elementos transformam a música em um ritual cotidiano.
“Escutar música em um espaço pensado para isso faz com que a vida seja muito mais imersiva”, compartilha.
Bar, adega e café
Os pequenos rituais da vida são carregados de simbolismos. O café, que tomamos tão automaticamente no decorrer do dia, merece uma atenção especial para escolher a cápsula a ser apreciada ou a torra preferida do café arábico que será moído e extraído pela máquina.
Assim, quando um profissional percebe esse gosto do morador, ele busca inserir no projeto de interiores. “Preparar para si ou para um convidado, logo após um jantar, promove as breves satisfações que renovam os sentimentos”, verbaliza.
O mesmo acontece com o cantinho do bar com uma adega climatizada, a marcenaria com nichos para expor a coleção de rótulos, a cervejeira ou mesmo a bandeja com os destilados. “A melhor localização vem de encontro com os costumes e as preferências de quem viverá no projeto”, analisa Bruno.
Ode à contemplação e spa para a mente
Agora imagine uma imersão em jacuzzi depois de um longo dia ou uma sauna num domingo à tarde: mais do que luxo, projetos com spas próprios estimulam experiências sensoriais dentro do lar.
Ele diz que aproveitar banheiros amplos para incluir banheiras de imersão e ofurôs, além de trabalhar uma cenografia com iluminação indireta, pedras naturais, madeira, aromas e texturas mais acolhedoras. “A casa passou a ser um espaço de recuperação física e mental”, diz ele.
Varandinha gostosa
Às vezes, tudo o que a casa precisa é de uma varanda para aportar um clima mais leve e descontraído. Almofadas confortáveis, móveis despojados, plantas abundantes, tapetes externos e objetos artesanais podem transformar pequenos ambientes em verdadeiros respiros urbanos.
“Nem sempre é preciso um grande investimento para criar esses espaços de desaceleração. Muitas vezes, começamos pelo básico, como o uso das cores certas, uma iluminação mais acolhedora e plantas que ajudam a trazer frescor para dentro de casa”, explica.
Por fim, o arquiteto ainda destaca que esses refúgios podem ir muito além das áreas citadas acima. Ele enumera outros como os ambientes voltados para escrita, desenho, pintura, trabalhos manuais e meditação.