Mercado busca soluções que antecipam necessidades, automatizam rotinas e tornam a tecnologia cada vez mais invisível dentro das residências para os moradores
Durante muitos anos, o avanço das casas inteligentes esteve associado à possibilidade de controlar iluminação, climatização, persianas e equipamentos eletrônicos por meio de aplicativos ou comandos de voz. Agora, uma nova etapa dessa evolução começa a ganhar espaço no mercado: residências capazes de antecipar necessidades e reduzir a quantidade de decisões que os moradores precisam tomar no dia a dia.
A mudança acompanha uma transformação no próprio conceito de conforto. Mais do que oferecer tecnologia, os projetos contemporâneos buscam criar ambientes que funcionem de forma intuitiva, eliminando pequenas tarefas cotidianas e tornando a experiência de morar mais fluida.
Segundo levantamento divulgado pela Verisure, as buscas por termos relacionados a casas inteligentes cresceram 22% nos últimos 12 meses no Brasil. A expectativa é que o mercado brasileiro de residências conectadas movimente cerca de US$ 2,41 bilhões até o final de 2026. Esse crescimento reflete uma mudança de comportamento dos consumidores. A tecnologia deixa de ser vista apenas como um recurso de conveniência e passa a assumir um papel ligado à qualidade de vida, ao conforto e à eficiência dos ambientes.
Nesse contexto, soluções de automação residencial vêm evoluindo para além da execução de comandos. A proposta agora é integrar iluminação, climatização, persianas, sensores e equipamentos eletrônicos em sistemas capazes de compreender hábitos e adaptar o funcionamento da residência de forma automática.
A Smartly faz parte desse movimento ao desenvolver tecnologias que permitem que a casa responda às condições do ambiente e à rotina dos moradores sem a necessidade de intervenções constantes. A ideia é criar espaços que operem de forma natural, reduzindo a quantidade de ajustes e decisões exigidas ao longo do dia.
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Segundo o engenheiro civil e cofundador da empresa, Euclides Ciruelos, o principal avanço da automação está justamente na capacidade de tornar a tecnologia menos perceptível.
“A tecnologia precisa trabalhar a favor das pessoas, sem exigir atenção o tempo todo. O objetivo é que os sistemas atuem naturalmente, trazendo conforto e eficiência sem que o morador precise pensar nisso”, afirma.
De acordo com Ciruelos, o conceito de residência inteligente está migrando de um modelo centrado no controle para outro focado na experiência. Em vez de apenas executar comandos, os sistemas passam a identificar padrões de uso e adaptar automaticamente os ambientes conforme a rotina de cada família.
Outro fator que impulsiona essa transformação é a busca por eficiência energética. Com o aumento das tarifas e a preocupação crescente com sustentabilidade, tecnologias capazes de otimizar recursos ganham relevância. Ao automatizar processos e evitar o funcionamento desnecessário de equipamentos, os sistemas inteligentes contribuem para uma gestão mais eficiente da residência.
Para a Smartly, a tendência é que as casas se tornem cada vez mais conectadas e personalizadas nos próximos anos, integrando conforto, segurança, eficiência energética e praticidade em um único ecossistema.
“Existe uma mudança importante acontecendo no mercado. As pessoas não querem mais lidar com tecnologias complexas. Elas querem ambientes que acompanhem sua rotina de forma natural. O verdadeiro diferencial está em oferecer conforto sem gerar mais tarefas para o morador”, conclui Ciruelos.
Mais do que incorporar novos recursos tecnológicos, a transformação está em criar residências capazes de simplificar a vida das pessoas. Nesse cenário, a automação deixa de ser um diferencial visível e passa a fazer parte, de forma discreta, da experiência de morar.