Com imóveis menores nas grandes cidades, acabamentos ajudam de alguma forma a ampliar a sensação de espaço
A redução da metragem dos apartamentos tem se tornado uma característica cada vez mais presente nos grandes centros urbanos brasileiros. Impulsionado pela valorização imobiliária, pela busca por imóveis mais acessíveis e pelas mudanças nos arranjos familiares, o mercado imobiliário tem ampliado a oferta de unidades compactas, especialmente em regiões com boa infraestrutura e oferta de serviços.
Dados citados pelo Jornal da USP mostram que a metragem média dos imóveis financiados no país encolheu 12,75% desde 2018, refletindo transformações na dinâmica urbana e nas preferências de consumo. O levantamento foi realizado pela equipe de redação do Jornal Valor Econômico com dados cruzados entre o Banco Central e a Caixa Econômica Federal.
O fenômeno acompanha mudanças demográficas importantes. Segundo o Censo Demográfico 2022, do IBGE, 18,8% das unidades domésticas brasileiras eram ocupadas por apenas um morador, o equivalente a 13,6 milhões de pessoas vivendo sozinhas, enquanto cresce a participação de casais sem filhos, contribuindo para a demanda por imóveis adaptados a diferentes estilos de vida.
Na prática, esse novo cenário também mudou a forma de pensar os interiores. Se antes os acabamentos eram escolhidos prioritariamente pela estética, hoje eles também precisam atender a critérios de funcionalidade e contribuir para a percepção de amplitude dos ambientes.
Em imóveis onde cada metro quadrado faz diferença, pisos, revestimentos e soluções arquitetônicas deixaram de cumprir apenas um papel decorativo para se tornarem aliados da otimização dos espaços e do conforto no dia a dia.
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Segundo Rodrigo Gante, especialista em marketing e posicionamento de marcas nos setores de arquitetura e design da Homeney Acabamentos, algumas escolhas podem influenciar diretamente a sensação de espaço dentro de casa.
Pisos e revestimentos de grandes formatos, por exemplo, tendem a reduzir a quantidade de rejuntes aparentes, criando uma leitura visual mais contínua. Tons claros ajudam a refletir melhor a luz natural, enquanto a continuidade do mesmo piso em ambientes integrados favorece a impressão de fluidez.
Rodapé invisível reforça sensação de continuidade
Outro recurso que vem sendo incorporado em projetos contemporâneos é o uso do rodapé invisível, também conhecido como rodapé invertido ou negativo. Trata-se de um acabamento de arquitetura contemporânea onde a base da parede recebe um recuo, criando um vão entre a alvenaria e o piso.
Ao substituir o acabamento tradicional por perfis embutidos, o sistema cria uma linha de sombra discreta na base das paredes, eliminando interrupções visuais e reforçando a sensação de continuidade.
Em apartamentos compactos, esse efeito pode contribuir para uma leitura mais limpa do ambiente e ampliar a percepção espacial sem a necessidade de intervenções estruturais.
“Hoje, o consumidor não busca apenas um acabamento bonito. Ele quer soluções que ajudem a valorizar o imóvel. Recursos como grandes formatos, continuidade entre ambientes e até o rodapé invisível mostram como detalhes técnicos podem influenciar diretamente a percepção de amplitude e o conforto visual dos espaços”, afirma Rodrigo.
Além da estética, a praticidade também ganhou protagonismo. Materiais resistentes, de fácil limpeza e com alta durabilidade passaram a ser valorizados por consumidores que buscam otimizar espaços e reduzir custos com manutenção ao longo do tempo.
A busca por soluções mais inteligentes também acompanha o crescimento dos projetos de retrofit em apartamentos urbanos. Recursos capazes de modernizar os ambientes sem grandes intervenções estruturais são ideais para atualizar os interiores com eficiência e aproveitar melhor o espaço disponível.
Diante das transformações nas grandes cidades e de seus reflexos no mercado imobiliário, projetar ambientes compactos deixou de ser apenas um desafio arquitetônico. Tornou-se uma oportunidade de mostrar que, muitas vezes, a sensação de morar melhor depende menos da metragem e mais da forma como cada detalhe do espaço é pensado.