O uso do gramado e das forrações nos projetos de paisagismo

Redação ImobiPress

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Publicado em 06/07/2026 às 14:02 / Leia em 5 minutos

Especialista na constituição de jardins, explica que cada cobertura de gramado e forrações entregam uma função específica nas áreas externas

Para muitos, a função do gramado se limita ao visual verdinho de um jardim e ao prazer de aproveitar esse contato com o solo. Dentro do projeto de paisagismo, a cobertura vegetal também precisa responder às características do terreno, à incidência de luz, ao uso que o espaço receberá e até à forma como a paisagem se transforma ao longo dos anos. É nesse momento que entram em cena, além dos gramados, as forrações.

Embora muitos confundam como sendo a mesma coisa, o paisagista e botânico Alexandre Galhego afirma que é fundamental compreender o papel de cada uma e enxergar o paisagismo como um projeto integrado. De acordo com ele, os recursos não competem, mas se complementam por atenderem necessidades específicas.

“O resultado é um projeto muito mais equilibrado e agradável”, analisa.

O começo de tudo

Em se falando de paisagismo, normalmente a atenção se volta para espécies ornamentais, árvores e arranjos, mas é a vegetação rasteira que conecta esses diferentes elementos do paisagismo e ajuda a organizar os espaços.

Além disso, Alexandre reforça que essa cobertura interfere diretamente na drenagem da água da chuva, na proteção do terreno contra processos erosivos, na experiência de quem utiliza a área externa e até participa da formação de um microclima mais agradável ao redor da residência.

Em comparação com superfícies totalmente pavimentadas, gramados e forrações absorvem menos calor e cooperam para a redução da sensação térmica nos ambientes externos.

“Por isso, a decisão entre gramado ou forração não deve ser tomada apenas pela aparência, mas considerando fatores como insolação, circulação de pessoas, umidade do solo, manutenção e o desenvolvimento da vegetação ao longo dos anos”, completa.

No quesito sustentabilidade, a cobertura vegetal também exerce um papel importante ao favorecer a infiltração da água da chuva, reduzir a temperatura do solo e minimizar processos erosivos.

“Gramados e forrações contribuem para jardins mais nivelados do ponto de vista ambiental, além de diminuírem a necessidade de intervenções constantes ao longo do tempo”, afirma.

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As diferenças

Ainda que ambos façam parte da cobertura vegetal do jardim, gramados e forrações possuem características bastante distintas.

De acordo com o profissional, os gramados são indicados para áreas de lazer e convivência; espaços destinados ao caminhar e ao uso frequente, locais onde há maior circulação de pessoas e animais e superfícies que cooperam na infiltração da água.

“Em áreas de lazer, o gramado também propicia mais conforto e segurança. Pequenas quedas têm um impacto muito menor do que em pisos cimentícios ou revestimentos mais rígidos”, diz.

Por outro lado, as forrações são empregadas em canteiros ornamentais, áreas sombreadas pelo crescimento das árvores, taludes e locais sujeitos à erosão e espaços onde o objetivo é reduzir a manutenção e enriquecer a composição paisagística com diferentes texturas, cores e volumes.

“Cada espécie apresenta um comportamento diferente. Existem forrações que se adaptam melhor à sombra, outras que suportam maior exposição ao sol, enquanto determinados gramados oferecem resistência ao pisoteio. A decisão sempre depende das condições”, explica Alexandre.

Quanto aos tipos de espécies, entre os gramados mais utilizados em projetos residenciais estão espécies como a Esmeralda, indicada para áreas de lazer e circulação, a São Carlos, que apresenta melhor desempenho em locais com meia-sombra, e a Bermuda, bastante resistente ao pisoteio.

Já entre as forrações, o paisagista enumera opções como a grama-amendoim, a lambari-roxo, a dinheiro-em-penca e a vedélia, escolhidas conforme as características de cada ambiente e o efeito paisagístico desejado.

Então como saber?

Tudo dependerá da evolução do jardim, o crescimento das árvores e a expansão das copas, bem como a incidência de luz que muda ao longo do tempo.

“Isto significa que uma solução adequada hoje pode precisar ser repensada anos depois”, explana Alexandre.

Ainda de acordo com ele, esse é um dos motivos pelos quais a cobertura vegetal deve ser planejada desde o início do projeto paisagístico.

“Não basta observar como o terreno está no momento da implantação, é preciso considerar como a vegetação se desenvolverá, quais áreas receberão mais sombra futuramente e como o jardim será utilizado pela família ao longo dos anos”, reforça.

Esse olhar evita substituições precoces e contribui para um paisagismo permanente. E ao contrário do que muitos imaginam, dificilmente um projeto utiliza apenas um tipo de cobertura vegetal. Em muitos casos, gramados e forrações convivem no mesmo jardim, cada um ocupando áreas onde suas características são mais vantajosas.

“Enquanto o gramado convida ao uso, entregando espaços de vivência ao ar livre, as forrações reduzem o surgimento de plantas invasoras e enriquecem a paisagem com diferentes desenhos, alturas e tonalidades”, enfatiza o paisagista.

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