Especialista aponta que programa habitacional da Caixa mantém o setor aquecido mesmo em cenário de juros elevados
A carteira de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal alcançou a marca histórica de R$ 1 trilhão em junho de 2026, crescimento superior a 14% em 12 meses. O resultado reforça a força do financiamento habitacional no país e evidencia o protagonismo do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que segue sustentando o mercado mesmo em um cenário de juros elevados.
Segundo Alexandre Medeiros, diretor da Casin Conquista, a habitação de interesse social tem se mostrado o segmento mais resiliente do setor imobiliário. Acompanhando o recorde da instituição financeira, cerca de três mil contratos são firmados diariamente e mais de R$ 1 bilhão é liberado por dia em financiamentos habitacionais.
Enquanto os segmentos de médio e alto padrão seguem mais sensíveis ao comportamento da taxa Selic, o Minha Casa, Minha Vida mantém um ritmo consistente de contratações. Isso porque as taxas de financiamento do programa são definidas pelas regras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), reduzindo os impactos das oscilações dos juros sobre o comprador.
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Para Medeiros, o comprador de médio padrão costuma adiar a decisão esperando uma redução dos juros. Já quem se enquadra no Minha Casa, Minha Vida consegue contratar porque a prestação cabe no orçamento desde o início e permanece compatível com a renda da família.
“A habitação de interesse social segue entregando volume, velocidade e segurança. O programa deixou de ser um nicho para se tornar o eixo central da indústria imobiliária brasileira”, afirma.
A expectativa do mercado também acompanha o desempenho da Caixa, que projeta crescimento de aproximadamente 30% nas concessões de crédito habitacional ao longo de 2026, ampliando inclusive os recursos destinados ao financiamento da produção imobiliária. Para o especialista, o cenário reforça a importância de incorporadoras e construtoras ampliarem a oferta de empreendimentos enquadrados no programa.
Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida
Lançada em 2025, a faixa 4 foi pensada para atender a classe média brasileira, permitindo o financiamento habitacional para famílias com renda de até R$ 13 mil — a ampliação de renda ocorreu recentemente, em março deste ano. Entre janeiro e maio foram 20,9 mil imóveis contratados e R$ 6 bilhões em crédito, um crescimento de 40% em uma base pequena para comparação.
Para Alexandre Medeiros, a faixa deve ganhar mais espaço com o tempo, mas em uma escala menor que as outras.
“Hoje existe um contingente enorme de famílias com renda entre R$ 10 mil e R$ 13 mil, que se encaixam no programa, mas não encontram produtos disponíveis dentro do teto de preço”, pontua.