Especialista mostra como o conceito walk-in com a tendência efetiva e a personalização dos projetos pode transformar ambientes em experiências
É fato é que o luxo deixou de ser a ostentação pelos tamanhos exorbitantes dos projetos residenciais ou aquilo que os integra. Essa mudança de perspectiva faz com que a personalização dos ambientes e a maneira como o morador desfruta e vivencia o seu universo representem muito mais.
Em especial, o conceito walk-in, que na arquitetura representam a oportunidade de entrar e interagir no espaço, é um desejo recorrente para a concepção de closets e adegas.
“Pensando na estrutura de marcenaria desses ambientes, essa possibilidade permite que a pessoa se sinta o centro do projeto e não apenas alguém que apenas acessa um item guardado”, retrata a arquiteta Ana Rozenblit, à frente do escritório Spaço Interior.
No closet, essa característica possibilita ao morador uma área dedicada para experimentar combinações de roupas, acomodar uma ilha para organizar acessórios ou incluir um banco que transforme o momento de vestir-se mais confortável. Já na adega, o intuito se traduz em layouts que valorizam a exposição dos vinhos, facilitam o acesso e transformam o armazenamento em parte do prazer de receber amigos e familiares.
“Um ambiente walk-in precisa fazer sentido para quem o utiliza todos os dias. Não basta ser bonito: tudo precisa converter para que o espaço revele uma leitura intuitiva e agradável de viver”, afirma a profissional.
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Essa lógica orienta os projetos do escritório, que exploram diversos recursos para tornar closets e adegas mais acolhedores, funcionais e exclusivos.
Closet com ilha
Além de serem ambientes importantes de autocuidado, os closets são sinônimos de um ordenamento impecável e prático do acervo de roupas, sapatos, acessórios e outros itens relevantes para a vida do morador.
O closet walk-in, ao contrário dos armários tradicionais ou closets estreitos, possui uma área para circulação confortável. Entre tantas vantagens, a profissional argumenta que o modelo também é excelente para casais.
“Ele resolve super bem a individualidade dos dois, sem um interferir no sistema do outro”, comenta.
Walk-in em sua essência
Na execução, Ana afirma que o planejamento da marcenaria é decisivo.
“Equilibrar compartimentos abertos e fechados evita o excesso de informação visual, enquanto uma iluminação integrada às prateleiras melhora a identificação das peças e valoriza o ambiente sem comprometer a sensação de amplitude”, explica.
Aberto e com espaço para o próximo look
No projeto, uma das distinções do closet sob medida está na área dedicada à composição de looks.
“Sem dúvidas, isso é muito eficiente, pois a pessoa pode imaginar o resultado completo, incluindo a escolha do sapato. Essa é a ideia de preparar com antecedência”, entrega a arquiteta.
Posicionado ao lado do espelho e acompanhado por um banco de apoio, o recurso faz o momento de se vestir mais fluido, evitando os momentos de indecisão.
Para completar o closet walk in
Deixando a usabilidade do closet ainda mais efetiva, Ana revela que itens adicionais tornam o ambiente ainda mais gostoso, como as penteadeiras e pufes.
Ao lado da circulação principal deste closet, uma penteadeira compacta que aproveita a iluminação natural da janela é essencial. O desenho inclui espelho basculante e gavetas compartimentadas para acomodar joias, maquiagens e pequenos objetos, evitando que esses itens fiquem dispersos pelas bancadas.
“A penteadeira não precisa ser um ambiente separado. Quando ela é incorporada ao walk-in, o morador consegue concentrar em um único espaço as etapas de escolher a roupa, experimentar acessórios e finalizar a produção”, descreve.
Adega com muito mais
A adega walk-in propõe uma nova relação com o acervo de vinhos. Ao permitir que o morador entre no espaço e percorra as prateleiras, a proposição é gerar uma interação mais íntima e valorizar tanto a organização, quanto o prazer da descoberta. Nesse contexto, iluminação, marcenaria e climatização cumprem um papel de regozijo.
Ana Rozenblit afirma que um cômodo exclusivo e inserido entre a cozinha e a sala de estar, favorece a integração durante encontros e refeições.
“Quando o cliente opta por uma adega walk-in, ele busca mais do que capacidade de armazenamento. Existe o desejo de entrar nesse espaço, observar a coleção, eleger o rótulo certo com toda calma e compartilhar essa ocasião com os convidados. A arquitetura precisa traduzir esse ritual”, afirma a arquiteta.
A disposição interna transforma as próprias paredes em elementos expositivos e o acabamento amadeirado, bem como a iluminação quente reforçam o acolhimento, mas sem ostentação. Para Ana Rozenblit, uma adega bem-sucedida precisa equilibrar desempenho técnico e impacto sensorial.
“Temperatura e armazenamento corretos são indispensáveis, mas também pensamos na satisfação a ser vivida”, conclui.