O Google pode mudar novamente o mercado imobiliário

O Google pode mudar novamente o mercado imobiliário

Rafael Sanches CEO da Sanchez

Redação ImobiPress

redacao@imobipress.com.br
Publicado em 15/07/2026 às 11:40 / Leia em 4 minutos

As grandes transformações do mercado imobiliário raramente começam dentro das imobiliárias. Elas começam com uma mudança no comportamento do consumidor, impulsionada por plataformas como o Google.

Foi assim com os portais imobiliários, com a popularização dos smartphones, com as redes sociais e, mais recentemente, com a inteligência artificial. Agora, um novo movimento do Google nos Estados Unidos pode representar mais um desses momentos de inflexão.

A empresa passou a exibir imóveis diretamente nos resultados de pesquisa, aproximando ainda mais o consumidor da informação e reduzindo etapas da jornada de compra. Na prática, o usuário pesquisa uma região ou um tipo de imóvel e encontra ofertas estruturadas sem precisar iniciar sua busca em um portal imobiliário.

À primeira vista, trata-se apenas de uma evolução tecnológica. Mas, olhando com mais atenção, estamos diante de uma mudança estratégica na forma como a demanda será distribuída nos próximos anos.

O Google já concentra o maior volume de intenção de compra da internet. Quando alguém decide procurar um imóvel, dificilmente começa pelo Instagram ou por um portal. O comportamento mais natural continua sendo abrir o Google e pesquisar localização, preço, financiamento, construtora ou imobiliária. É nesse momento que nasce a oportunidade comercial.

Se essa funcionalidade chegar ao Brasil, o mercado precisará rever muitas de suas estratégias. Durante anos, grande parte das empresas concentrou seus investimentos na aquisição de leads por meio de portais imobiliários. Esse modelo continuará relevante, mas poderá dividir espaço com uma nova lógica: conquistar o cliente exatamente no momento em que ele demonstra intenção de compra dentro do maior mecanismo de busca do mundo.

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Isso exigirá uma mudança de mentalidade. Não bastará anunciar. Será necessário organizar dados, estruturar informações dos imóveis, investir em SEO, conteúdo, inteligência artificial, integração tecnológica e experiência digital. Empresas que entenderem essa dinâmica construirão uma vantagem competitiva difícil de ser alcançada posteriormente.

Ao mesmo tempo, o consumidor tende a ser o maior beneficiado. Quanto menor o caminho entre a pesquisa e a informação de qualidade, mais eficiente se torna a jornada de compra. Transparência, velocidade e relevância passam a ser fatores centrais na decisão.

Depois de mais de 15 anos dedicados exclusivamente ao marketing imobiliário, acompanhando a evolução digital de centenas de imobiliárias e incorporadoras em todo o país, vejo esse movimento como um caminho praticamente inevitável. A tecnologia sempre favorece quem entrega a melhor experiência ao usuário, e o mercado imobiliário não será uma exceção.

Costumo dizer que o próximo grande diferencial competitivo das empresas do setor não será apenas ter mais imóveis ou investir mais em mídia. Será estar presente exatamente quando o cliente manifesta sua intenção de comprar.

A disputa do futuro não acontecerá entre imobiliárias e portais. Ela acontecerá pela atenção do consumidor no momento exato em que ele inicia sua busca. O Google está mostrando que quer ocupar esse espaço. Quando essa transformação chegar ao Brasil, as empresas que já tiverem construído autoridade digital, organizado seus dados e entendido a lógica dos mecanismos de busca estarão vários passos à frente. Quem esperar essa mudança acontecer para agir poderá descobrir, tarde demais, que perdeu o momento mais valioso da jornada de compra: o primeiro clique.

O mercado imobiliário sempre acompanhou as mudanças tecnológicas, mas raramente teve a oportunidade de antecipá-las. Desta vez, os sinais estão claros. Cabe às empresas decidir se querem apenas reagir ao futuro ou participar da sua construção

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