A construção civil perdeu espaço para as big techs na disputa pela geração Z?

A construção civil perdeu espaço para as big techs na disputa pela geração Z?

Filipe Boito, engenheiro civil e especialista em gestão empresarial na área da construção civil.

Redação ImobiPress

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Publicado em 28/07/2026 às 10:48 / Leia em 4 minutos

Enquanto a construção civil vive um dos ciclos mais intensos de investimentos em infraestrutura e modernização tecnológica, um desafio ameaça o crescimento sustentável do setor: a dificuldade para renovar sua força de trabalho. Empresas investem em equipamentos mais inteligentes, processos digitalizados e métodos construtivos mais eficientes, mas continuam encontrando obstáculos para atrair profissionais jovens.

Um levantamento divulgado pela National Association of Home Builders (NAHB), em 2026, mostra que o interesse de jovens entre 18 e 25 anos por carreiras ligadas à construção dobrou na última década, passando de 3% para 6%. Embora o crescimento seja positivo, o percentual ainda é insuficiente para atender à demanda de um setor que enfrenta o envelhecimento da mão de obra em diversos países. No Brasil, por exemplo, a expansão do mercado, impulsionada por investimentos públicos, privados e pela retomada de obras de infraestrutura, aumenta a necessidade de profissionais qualificados justamente em um momento em que muitas empresas relatam dificuldades para preencher vagas técnicas e operacionais.

A construção civil continua sendo apresentada como era há 20 anos, enquanto, na prática, se transformou profundamente. Existe uma mudança importante acontecendo, mas ela ainda não foi percebida pelas novas gerações. Hoje, falamos de gestão baseada em dados, BIM, inteligência artificial, drones, automação, sustentabilidade e industrialização dos processos. O setor evoluiu muito mais rápido do que sua própria comunicação.

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Essa mudança também acompanha o perfil da geração Z, formada por jovens que valorizam desenvolvimento profissional, aprendizado contínuo, propósito, inovação e uso intensivo de tecnologia. Diferentemente da percepção ainda existente, esses elementos estão cada vez mais presentes dentro das construtoras.

Hoje, a construção civil não busca apenas quem saiba construir, é necessário contar com profissionais capazes de interpretar dados, integrar equipes multidisciplinares, resolver problemas complexos e utilizar tecnologia para aumentar produtividade e qualidade. O profissional da construção é muito mais estratégico do que operacional.

Outro diferencial pouco explorado pelo setor é o impacto concreto da profissão. Enquanto muitas carreiras produzem resultados essencialmente digitais, a construção permite que o profissional acompanhe, diariamente, a materialização do próprio trabalho, um diferencial forte, já que o jovem quer sentir que gera impacto. Poucas atividades permitem enxergar esse resultado de forma tão clara quanto a construção civil. Hospitais, escolas, moradias, centros logísticos, indústrias e infraestrutura urbana são entregas que permanecem por décadas e transformam diretamente a vida das pessoas.

No entanto, para que essa percepção mude, será necessário um esforço maior de empresas, universidades e escolas técnicas na forma como apresentam a profissão. Mais do que divulgar vagas, será preciso aproximar estudantes da realidade atual dos canteiros, mostrar as oportunidades de crescimento, investir em programas de formação, estágios, visitas técnicas e experiências práticas desde o início da formação acadêmica. Afinal, a disputa por talentos será um dos principais fatores de competitividade da construção civil nos próximos anos.

Durante muito tempo, as empresas acreditavam que bastava oferecer emprego. Hoje, isso não é mais suficiente. Os jovens escolhem ambientes onde enxergam evolução, inovação, qualidade de vida e perspectivas de carreira. Quem conseguir comunicar esse novo momento da construção terá muito mais facilidade para formar equipes fortes no futuro.

A construção civil evoluiu, mas tem como desafio fazer com que essa transformação também aconteça na forma como o setor é percebido pelas novas gerações. Afinal, a disputa pelos melhores profissionais começa muito antes da contratação: começa na imagem que cada carreira consegue construir.

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