Da temperatura de cor ao posicionamento das luminárias, a iluminação interfere diretamente na percepção do porcelanato, das texturas, veios, relevos, acabamentos e tonalidades.
Um porcelanato pode ter diferentes leituras dependendo da maneira como é iluminado. Veios que parecem discretos ganham profundidade, relevos passam a revelar sua tridimensionalidade e nuances de cor tornam-se mais evidentes. Em contrapartida, uma escolha inadequada de temperatura de cor, intensidade luminosa ou posicionamento das luminárias pode comprometer a percepção pretendida para o material dentro do projeto de arquitetura.
É nesse ponto que o projeto luminotécnico assume um papel que ultrapassa a definição dos pontos de luz. Para a Roca Cerámica, marca do Grupo LAMOSA no Brasil, a iluminação participa da leitura dos materiais, interfere na maneira como as superfícies são percebidas no espaço e pensar sobre essa relação é também uma forma de aproveitar integralmente as características estéticas e técnicas de cada porcelanato.
“Um excelente revestimento pode não mostrar todo o seu potencial quando a iluminação não é pensada para ele. O mesmo material é capaz de transmitir sensações completamente diferentes dependendo da forma como a luz incide sobre sua superfície. É ela que evidencia texturas, realça relevos, destaca veios, altera a percepção das cores e cria profundidade”, explica o arquiteto Carlos Bianco.
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Iluminação deve ser pensada junto com a escolha dos revestimentos
A relação entre revestimento e iluminação começa ainda na etapa de especificação. Para Carlos Bianco da Roca Cerámica, os dois elementos devem ser definidos como partes de uma mesma estratégia, já que a escolha do porcelanato influencia a iluminação e, ao mesmo tempo, a luz determina como suas características serão percebidas.
“Revestimento e iluminação se complementam e o tipo definido influencia diretamente na estratégia que designamos para o luminotécnico do ambiente. O contrário também acontece, uma vez que a iluminação interfere na forma como esse revestimento será percebido”, afirma.
Esse planejamento envolve desde o acabamento escolhido, a paginação, a posição das luminárias, os ângulos de abertura e a distribuição dos pontos de luz.
“Não existe uma única temperatura de cor ideal. Em projetos de interiores, a iluminação em torno de 4000 K, conhecida como branco neutro, é frequentemente considerada quando se busca uma reprodução mais fiel das cores dos materiais, sempre respeitando a atmosfera e a intenção do projeto”, explica Carlos.
A orientação da Roca Cerámica vale especialmente para porcelanatos com maior riqueza de detalhes. Um material com veios marcados, relevos ou esmaltes especiais pode perder parte de suas características quando submetido a uma iluminação que não considera sua superfície.
“Costumo dizer que os revestimentos cerâmicos trazem camadas sensoriais. A iluminação é a última delas”, resume o arquiteto.
O tamanho do revestimento interfere?
A dimensão das peças também deve entrar na estratégia luminotécnica. Revestimentos de formatos menores apresentam uma leitura marcada pelas juntas e pela modulação da paginação.
“Peças menores possuem um ritmo marcado pelas juntas e pedem uma distribuição luminosa capaz de preservar essa modulação sem resultar em contrastes excessivos”, explica Carlos.
Quanto maior a superfície, maior a atenção necessária à uniformidade da luz. Manchas, sombras e contrastes indesejados podem comprometer a leitura de um grande plano. Ao mesmo tempo, uma distribuição bem resolvida ajuda a preservar a continuidade visual do revestimento.
Iluminação vertical: como valorizar o revestimento nas paredes
Nas paredes, a iluminação pode assumir uma função ainda mais expressiva ao destacar volumes, texturas e relevos. Arandelas, perfis lineares, sancas e soluções de luz indireta são alguns dos recursos indicados para esse tipo de aplicação. Em superfícies com alto poder de reflexão, o cuidado com o ângulo de incidência evita reflexos que prejudiquem a leitura do material.
Aspectos técnicos que o profissional precisa observar
Ao especificar a iluminação de um ambiente com porcelanato, o profissional orienta a análise sobre o uso do espaço, a quantidade de luz natural disponível, o pé-direito, o acabamento e o formato do revestimento. A partir dessas informações, entram em cena a temperatura de cor, o IRC, a intensidade luminosa, a distribuição dos pontos e o ângulo de abertura das luminárias.
De acordo com o especialista, o tipo de porcelanato também orienta as decisões. Reproduções de mármore podem se beneficiar de uma iluminação que ressalte a continuidade dos veios; materiais inspirados em superfícies cimentícias ou pedras naturais podem ganhar definição em suas nuances minerais e os amadeirados tem seus tons e desenhos valorizados por temperaturas mais quentes.
No caso dos projetos comerciais, a especificação deve ainda considerar o posicionamento de cada linha. Um showroom, uma joalheria, uma clínica, um restaurante ou um supermercado apresentam necessidades distintas, tanto em relação à intensidade quanto à temperatura de cor e à reprodução cromática.
A principal recomendação, portanto, é não deixar a iluminação para a última etapa. Quando o projeto luminotécnico acompanha a escolha dos revestimentos desde o início, é possível coordenar paginação, arquitetura, mobiliário e pontos de luz, aproveitando melhor as características de cada superfície.
“O projeto luminotécnico não deve ser entendido como um complemento”, afirma Carlos.