A escolha da madeira para uma arquitetura mais conectada ao entorno

Redação ImobiPress

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Publicado em 14/08/2026 às 11:22 / Leia em 3 minutos

Madeira aproxima interiores da paisagem e permite incorporar ao projeto veios, tonalidades e formas preservadas do próprio tronco

A escolha dos materiais tem papel importante na relação entre uma residência de campo e seu entorno. Em construções cercadas por vegetação, montanhas ou áreas rurais, a madeira aparece como um recurso capaz de estabelecer continuidade entre paisagem e interiores sem limitar o projeto a uma linguagem rústica.

Em sua versão maciça, o material pode ser usado em diferentes propostas arquitetônicas, do mobiliário a elementos estruturais e revestimentos. Uma de suas características é justamente não depender de uma superfície completamente uniforme. Veios, nós, variações de tonalidade, diferenças de espessura e contornos formados durante o crescimento da árvore podem permanecer aparentes e participar do desenho.

Esse aspecto ganha relevância em projetos que procuram trabalhar com materiais próximos de seu estado natural. Mesas, bancos, aparadores, bancadas e outras peças podem partir das dimensões e da geometria da própria madeira, em vez de submeter toda a matéria-prima a formas previamente padronizadas.

“Existe uma beleza no que a madeira já traz antes de qualquer intervenção. Cada tronco tem um desenho, uma proporção, uma combinação de cores e marcas próprias. Nosso trabalho parte da leitura dessas características para entender o que deve ser preservado e como aquela matéria pode ocupar o espaço”, afirma Clariça Nunes, fundadora da Tábua Brasil Design.

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Além da aparência, a madeira oferece possibilidades de uso relacionadas à escala e à durabilidade. Peças de grandes dimensões podem assumir protagonismo em áreas de convivência, enquanto o mesmo material também pode aparecer de maneira pontual, estabelecendo contraste com pedra, vidro, concreto, metais ou superfícies mais regulares.

A aproximação com a natureza, no entanto, também amplia a discussão sobre a procedência da matéria-prima. Quando a madeira passa a fazer parte de projetos orientados por critérios ambientais, questões como origem, manejo e rastreabilidade entram no processo de especificação.

Para Clariça, origem e desenho não devem ser tratados como assuntos separados.

“Preservar a forma natural da madeira também passa por compreender de onde ela veio. Quando existe esse cuidado desde o manejo até a produção da peça, conseguimos trabalhar o material considerando não apenas sua aparência, mas todo o percurso que existe por trás dele”, observa Clariça.

Em residências voltadas para uma relação mais próxima com o exterior, a madeira maciça funciona, assim, como uma das possibilidades para aproximar construção, interiores e paisagem. Mais do que reproduzir uma ideia tradicional de morar no campo, seu uso permite incorporar ao projeto características que pertencem à própria matéria: textura, irregularidade, marcas do tempo e formas que começaram a ser desenhadas muito antes de chegar à arquitetura.

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