Gestão condominial cresce no Brasil, mas apresenta problemas

Redação ImobiPress

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Publicado em 30/06/2025 às 11:00 / Leia em 3 minutos

Este crescimento reflete-se em uma arrecadação superior a R$ 61 bilhões, impondo grande responsabilidade financeira e patrimonial aos síndicos, com demandas crescentes por transparência e eficiência na gestão condominial

A gestão condominial tem ganhado destaque no Brasil, acompanhando o crescimento da população que vive em condomínios. Segundo o IBGE, mais de 25 milhões de brasileiros residem em apartamentos — o equivalente a 12,5% da população nacional. Entre 2000 e 2010, esse percentual subiu de 7,6% para 8,5%, impulsionado especialmente pela verticalização das grandes cidades. Somente São Paulo, nesse período, ganhou mais de 400 mil novas unidades habitacionais. A região Sudeste lidera esse cenário, com 16,7% da população morando em apartamentos, enquanto o Norte registra apenas 5,2%.

Com a expansão do setor, os desafios da gestão condominial se tornaram mais complexos e exigem preparo técnico, transparência e eficiência. O segmento movimenta mais de R$ 61 bilhões por ano, o que reforça a importância de uma administração profissional para garantir o bom funcionamento dos condomínios e a valorização do patrimônio coletivo.

A atuação do síndico profissional é regulamentada pelo Art. 1.347 do Código Civil, que atribui a ele responsabilidades como a administração financeira, a manutenção estrutural, a segurança dos moradores e o cumprimento de normas técnicas e legais. No entanto, muitos condomínios ainda enfrentam problemas como falhas de governança, serviços mal supervisionados e contratação de profissionais sem qualificação adequada — fatores que elevam os custos e comprometem a qualidade de vida.

Para enfrentar esses desafios, cresce a formalização da carreira de síndico por meio de empresas especializadas em gestão condominial, devidamente registradas nos Conselhos Regionais de Administração (CRAs). Esse movimento é respaldado pelo Parecer Técnico nº 1/2023 do Conselho Federal de Administração (CFA), além de pareceres jurídicos como o do advogado Cristiano de Souza Oliveira, que reforçam a obrigatoriedade do registro para garantir a legalidade e a qualidade dos serviços prestados.

Além da qualificação técnica, o uso de tecnologia também é um diferencial essencial na gestão condominial moderna. Fintechs especializadas vêm oferecendo soluções financeiras inovadoras, como sistemas de controle de inadimplência, conciliação bancária automatizada e plataformas de pagamento integradas.

“A importância de um bom planejamento financeiro para condomínios transcende a mera contabilidade. Ele representa a promessa de uma gestão transparente e eficiente, capaz de lidar com desafios e imprevistos,” afirma Marcelo Assunção, CEO da fintech WohPag.

“As inovações tecnológicas, associadas às crescentes responsabilidades dos síndicos, reforçam o papel dos bancos digitais em tornar a gestão condominial mais profissional e confiável.”

Apesar das dificuldades, o avanço da profissionalização no setor é uma resposta positiva às demandas cada vez mais exigentes dos condôminos. Com a adoção de boas práticas administrativas e o apoio de ferramentas digitais, a tendência é que a gestão condominial no Brasil se torne cada vez mais eficiente, transparente e orientada para resultados, promovendo qualidade de vida, segurança e valorização dos imóveis.

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