Com 27,6 milhões de moradias com necessidade de melhoria no Brasil, intervenções rápidas ganham espaço como alternativa ao presente tradicional
A tendência de trocar o presente tradicional por uma melhoria dentro de casa em datas comemorativas como o Dia das Mães, tem ganhado espaço entre filhos que buscam soluções mais criativas e esse movimento reflete uma realidade ainda mais ampla no país. Segundo análise do FGV IBRE, com base em dados da Fundação João Pinheiro, cerca de 27,6 milhões de moradias brasileiras apresentam algum tipo de inadequação, seja por limitações estruturais, falta de espaço ou ausência de infraestrutura adequada. Ao mesmo tempo, linhas de crédito voltadas à reforma ainda têm baixa adesão, o que reforça a busca por soluções mais simples, rápidas e viáveis dentro da própria rotina.
A arquiteta Rose Chaves observa que esse movimento cresce especialmente em datas afetivas, quando o presente ganha um significado mais duradouro. “Quando o olhar se volta para a casa, o presente deixa de ser algo pontual e passa a interferir diretamente na qualidade de vida. Ajustes simples conseguem melhorar circulação, iluminação e organização, o que impacta o dia a dia de forma contínua”, afirma.
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Entre os espaços mais escolhidos estão cozinha e banheiro, justamente por concentrarem uso intenso na rotina. Nessas áreas, mudanças pontuais já geram diferença perceptível, especialmente quando envolvem atualização de superfícies, melhoria na iluminação e reorganização dos elementos. Intervenções como a troca de revestimento em uma parede de destaque na cozinha, a atualização de pisos ou a criação de nichos no banheiro, além da aplicação de painéis ou acabamentos decorativos em áreas de convivência, estão entre as soluções mais buscadas por exigirem menor tempo de execução e apresentarem impacto visual imediato.
Rose explica que um dos erros mais comuns está na escolha apressada dos materiais, muitas vezes guiada apenas pelo preço ou pela aparência imediata. “Cada ambiente tem exigências específicas de uso, umidade e manutenção. Quando isso não é considerado, o resultado pode comprometer tanto a durabilidade quanto o conforto. A escolha precisa equilibrar estética, resistência e facilidade de limpeza, principalmente em áreas de uso frequente”, diz.
Outro ponto de atenção está no planejamento da intervenção. Reformas rápidas, comuns nesse tipo de presente, exigem decisões bem orientadas para evitar retrabalho ou custos extras ao longo do tempo. “Um projeto bem conduzido consegue transformar a percepção do espaço sem exigir grandes mudanças estruturais. A leitura correta do ambiente permite intervenções mais precisas, que melhoram o uso, valorizam a casa e evitam soluções provisórias que se desgastam rápido”, completa a arquiteta.
A tendência aponta para um Dia das Mães mais voltado à experiência cotidiana. Em vez de um presente que se esgota com o tempo, a casa passa a ser o centro desse cuidado, com melhorias que acompanham a rotina e reforçam a permanência desse gesto no dia a dia.