Como planejar comprar um imóvel sem pressa e com menos custo

Redação ImobiPress

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Publicado em 13/05/2026 às 15:25 / Leia em 4 minutos

Especialista dá dicas de como organizar prazos e orçamento para viabilizar o sonho de comprar a casa própria

Com o crédito imobiliário mais caro e restrito, o momento da compra passou a influenciar diretamente o custo final do imóvel. Para quem não tem urgência, se planejar com antecedência pode ser uma forma relevante de pagar menos — e é aí que o consórcio ganha mais espaço. Em 2025, o número de brasileiros que entrou em consórcios imobiliários cresceu 48,4%, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), refletindo que o sonho da casa própria segue presente, mas com uma mudança na forma de planejar a sua realização. Diferentemente do financiamento imobiliário tradicional, entrar em um consórcio exige planejamento financeiro, considerando o valor do imóvel, o orçamento disponível e o horizonte de compra.

Para Marcelo Nelzow, Diretor de Novos Produtos do QuintoAndar, entender esse processo é essencial para tomar uma decisão mais consciente. “Com os juros mais altos, o financiamento fica mais caro e pode elevar significativamente o custo total do imóvel. Ao mesmo tempo, economizar recursos para a entrada tem se tornado um desafio para muitas famílias. O consórcio surge, assim, como uma alternativa baseada em disciplina financeira, sem juros e sem entrada. Em muitos casos, comprar sem pressa pode sair mais barato”, afirma.

A seguir, o especialista dá dicas de como se organizar antes de entrar em um consórcio imobiliário:

1. Defina quando você quer comprar o imóvel

O primeiro passo é ter clareza sobre em que momento se pretende comprar o imóvel. “Ao definir o prazo, fica mais claro o nível de esforço financeiro necessário e as possíveis estratégias de antecipação. Quem pretende comprar em três anos precisa se organizar de forma completamente diferente de quem está olhando para dez anos”, explica Nelzow. 

  • Curto prazo (até 3 anos): exige maior capacidade de aporte e estratégia ativa de lances.
  • Longo prazo (acima de 3 anos): permite formar reserva ao longo do tempo e usar o consórcio como uma ferramenta de disciplina financeira, com a possibilidade de antecipar a compra por meio de sorteios ou lances ao longo da jornada.

“O erro mais comum é entrar sem esse alinhamento e depois perceber que prazo, orçamento e plano escolhido não conversam entre si, o que pode gerar frustração”, explica.

2. Entenda o peso da parcela no seu orçamento

Para Nelzow, é importante garantir também que a parcela mensal caiba no orçamento. “Uma boa prática é tratar a parcela como um compromisso fixo, semelhante a um investimento. Ela precisa ser sustentável ao longo do tempo”, explica. 

Para avaliar esse peso na prática, alguns pontos podem ajudar:

  • Limite de renda: a parcela não deve comprometer mais do que 30% da renda mensal, para não pressionar o orçamento;
  • Compatibilidade com outros custos: avaliar a parcela junto com despesas fixas atuais (aluguel, contas, educação), garantindo que o orçamento siga equilibrado;
  • Sustentabilidade no longo prazo: considerar se o valor continua sustentável ao longo dos anos, mesmo em cenários de imprevistos ou mudança de renda.

“No consórcio, a possibilidade de começar com parcelas mais acessíveis, aliada à ausência de entrada, facilita o planejamento desde o início”, afirma.

3. Escolha o valor da carta de crédito com cuidado

Nelzow aponta também que o valor contratado deve refletir o tipo de imóvel que você pretende adquirir. “O planejamento no consórcio precisa estar alinhado ao objetivo real de compra. Quando esse valor é bem definido desde o início, o plano fica mais previsível e aderente ao que o cliente busca”, explica.

Para tomar essa decisão, alguns pontos podem ajudar:

  • Partir do tipo de imóvel desejado: considerar localização, tamanho e padrão para chegar a uma faixa de valor realista;
  • Usar referências de mercado: pesquisar imóveis semelhantes para entender o ticket médio da região;
  • Evitar subdimensionar o valor: escolher uma carta muito baixa pode limitar as opções no momento da compra.

Em alguns modelos, também há incentivos no momento da compra.

No fim, o consórcio tende a funcionar melhor para quem prioriza organização e clareza de objetivos. Com definição de prazo e disciplina financeira, ele pode ser um caminho mais estruturado e, muitas vezes, mais econômico no longo prazo — especialmente para quem consegue transformar tempo em estratégia de compra.

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