Como pequenos erros nas obras podem gerar grandes prejuízos

Redação ImobiPress

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Publicado em 20/05/2026 às 14:50 / Leia em 3 minutos

O famoso “efeito domino”, falhas simples na execução e no planejamento podem comprometer prazos, elevar custos e afetar a segurança das construções durante as obras

Um pequeno erro de nivelamento ou uma economia aparentemente inofensiva podem desencadear uma sequência de problemas capaz de comprometer toda uma obra. Na construção civil, falhas simples costumam gerar um verdadeiro “efeito dominó”, aumentando custos e estresses, provocando atrasos e exigindo retrabalho em diferentes etapas do projeto.

Neste cenário, decisões tomadas sem planejamento técnico adequado podem representar prejuízos significativos. Segundo dados do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), desperdícios e retrabalhos na construção civil brasileira podem consumir entre 5% e 15% do custo total de um empreendimento, margem suficiente para comprometer diretamente a rentabilidade de uma obra.

Para Leonardo Ricardo Bonito, engenheiro civil e empresário do segmento, muitos problemas começam em falhas que, inicialmente, parecem pequenas e facilmente contornáveis. “Um prumo mal verificado em uma parede de vedação ou uma falha de nivelamento em um contrapiso parecem detalhes simples no início da execução. Porém, na fase de acabamento, esses erros se tornam muito mais complexos e caros de corrigir”, afirma.

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Segundo o especialista, o chamado “efeito dominó” acontece porque cada etapa da construção depende diretamente da qualidade da anterior. Quando um erro estrutural ou de execução não é corrigido imediatamente, ele acaba sendo mascarado temporariamente até reaparecer de forma ainda mais crítica nas próximas fases da obra.

Uma parede fora de esquadro, por exemplo, pode exigir mais consumo de argamassa, dificultar a instalação de esquadrias, comprometer o assentamento de revestimentos e até provocar fissuras futuras. O impacto não fica restrito apenas à execução técnica, mas se espalha por toda a operação do empreendimento.

Além do prejuízo financeiro, o retrabalho interfere diretamente no cronograma, já que em obras de médio e grande porte, atrasos afetam fornecedores, equipes terceirizadas e a entrega ao cliente final, aumentando custos operacionais e gerando mais desgaste na relação com investidores e compradores. “Quando uma obra perde ritmo, todo o planejamento sofre impacto. É um ciclo que compromete produtividade, credibilidade e margem de lucro”, destaca o engenheiro.

Outro ponto crítico está na tentativa de reduzir custos sem acompanhamento técnico especializado. A escolha de materiais de baixa qualidade ou de mão de obra sem qualificação adequada pode gerar problemas complexos, como infiltrações, falhas hidráulicas, problemas elétricos, deslocamento de revestimentos e até mesmo riscos estruturais.

Para evitar esse cenário, Bonito reforça a importância de um planejamento detalhado, acompanhamento técnico constante e inspeções ao longo de todas as etapas da obra. Segundo ele, investir em prevenção ainda é a forma mais eficiente de reduzir desperdícios e garantir mais segurança financeira e técnica ao empreendimento. “Economizar de maneira inteligente não significa gastar menos a qualquer custo, mas entender onde vale a pena investir corretamente”, conclui.

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