A estabilidade observada em abril reflete um mercado ativo, mas marcado por decisões mais cautelosas de compradores e inquilinos.
O mercado de imóveis usados no Estado de São Paulo apresentou em abril de 2026 um cenário de estabilidade moderada, marcado por consumidores mais seletivos e decisões de compra pautadas pela cautela financeira. Pesquisa estadual realizada pelo CRECISP junto a imobiliárias e corretores de imóveis revelou que o segmento continua sustentado pela demanda da classe média, embora ainda impactado por fatores econômicos como juros elevados, crédito mais restrito e aumento do custo de vida.
Mesmo sem repetir o ritmo mais intenso observado em março, o levantamento demonstra que o setor segue ativo e resiliente, especialmente em regiões urbanas em expansão e em imóveis de padrão médio, que continuam concentrando o maior volume de negociações.
A pesquisa mostra que os apartamentos permaneceram como preferência predominante dos compradores paulistas, respondendo por aproximadamente 55% das vendas estaduais, enquanto as casas representaram cerca de 45% das transações.
O comportamento do consumidor evidencia uma busca crescente por imóveis localizados em regiões urbanas com infraestrutura em desenvolvimento, maior mobilidade e preços mais acessíveis. As chamadas “demais regiões urbanas” concentraram aproximadamente 55,5% das vendas realizadas no período, superando áreas centrais e bairros nobres, que ficaram com participações próximas de 22% cada.
Esse movimento reflete mudanças sociais importantes observadas desde os últimos anos, como a valorização de bairros periféricos estruturados, a ampliação do trabalho híbrido e a necessidade de equilíbrio entre qualidade de vida e capacidade financeira das famílias.
Os imóveis de menor e médio valor continuaram liderando as negociações no Estado. As propriedades com preços entre R$ 201 mil e R$ 300 mil representaram cerca de 32,9% das vendas, consolidando-se como a faixa mais aquecida do mercado paulista.
Já os imóveis de até R$ 200 mil responderam por aproximadamente 18,4% das transações, demonstrando que a procura por habitação econômica continua elevada, principalmente entre famílias que buscam o primeiro imóvel.
Ao mesmo tempo, o segmento de imóveis acima de R$ 501 mil manteve participação relevante, próximo de 24,5%, evidenciando que o mercado de maior padrão continua apresentando demanda, ainda que mais seletiva e concentrada.
Especialistas do setor observam que a combinação entre inflação persistente, encarecimento do crédito e preocupação com endividamento faz com que compradores priorizem imóveis com melhor relação entre valor, localização e potencial de valorização.
O crédito imobiliário permaneceu como principal modalidade de pagamento utilizada nas aquisições de imóveis usados em São Paulo. A Caixa Econômica Federal liderou amplamente os financiamentos, sendo responsável por cerca de 56,3% das operações realizadas em abril.
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As compras à vista representaram aproximadamente 21% das negociações, demonstrando que ainda existe participação significativa de compradores capitalizados ou investidores que preferem evitar os custos financeiros dos financiamentos.
Também tiveram presença relevante os acordos diretos entre compradores e vendedores, responsáveis por cerca de 11,8% das operações, evidenciando um mercado que combina financiamento tradicional com negociações flexíveis entre particulares.
Locações mostram desaceleração e maior rigor na análise cadastral
No segmento de locações, a pesquisa apontou retração em comparação ao mês anterior, sinalizando comportamento mais cauteloso dos inquilinos diante das pressões econômicas atuais. O encarecimento do custo de vida, somado ao comprometimento maior da renda familiar, tem levado muitos consumidores a reduzir o padrão desejado ou adiar mudanças de imóvel.
As imobiliárias consultadas identificaram aumento na exigência documental e maior rigor na análise de crédito dos locatários, movimento que reforça a preocupação dos proprietários com inadimplência e segurança contratual.
Entre as garantias locatícias mais utilizadas, destacaram-se o fiador, o seguro-fiança e os depósitos caução, modalidades que seguem predominando nas negociações de locação residencial no Estado. O seguro-fiança, em especial, mantém crescimento gradual por proporcionar mais agilidade e segurança jurídica às partes envolvidas.
Diante de um cenário econômico mais complexo e de consumidores mais criteriosos, a atuação do corretor de imóveis ganha relevância ainda maior tanto nas vendas quanto nas locações.
A profissão é regulamentada pela Lei Federal nº 6.530/78, que estabelece ser competência do corretor a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, além da orientação sobre comercialização imobiliária.
O Decreto nº 81.871/78 também determina que somente profissionais regularmente inscritos podem exercer legalmente a atividade de intermediação imobiliária.
Além da segurança jurídica, o corretor desempenha papel essencial na avaliação documental, análise de riscos, definição de preço adequado, orientação contratual e condução transparente das negociações. O Código de Ética Profissional dos Corretores de Imóveis estabelece que o profissional deve atuar com zelo, lealdade, probidade e responsabilidade perante clientes e sociedade.
O próprio CRECISP reforça, por meio de sua Carta de Serviços ao Cidadão, o compromisso institucional com a fiscalização profissional e a proteção da sociedade nas transações imobiliárias.
Em um ambiente de maior seletividade financeira e contratos cada vez mais complexos, especialistas apontam que a presença de um corretor devidamente credenciado representa importante fator de segurança para compradores, vendedores, locadores e locatários, reduzindo riscos e assegurando maior transparência em todas as etapas da negociação.