Mesmo com queda gradual da taxa Selic, decisão melhora o humor dos bancos e pode aquecer a busca por imóveis.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, confirmando a expectativa do mercado para a decisão desta quarta-feira. A queda ocorre em meio a um cenário internacional mais favorável do que o previsto nas semanas anteriores. O Federal Reserve, o Fed, banco central dos Estados Unidos, manteve os juros americanos estáveis na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o que ajudou a reduzir a pressão sobre o câmbio e deu mais espaço para o Copom seguir com o corte no Brasil.
Especialista em financiamento imobiliário, Murilo Arjona avalia que a decisão precisa ser analisada para além do número isolado. Segundo ele, a redução de 0,25 ponto percentual pode parecer pequena, mas reforça uma direção positiva para o setor imobiliário. Mesmo que a Selic termine o ano em patamar mais alto do que o mercado esperava meses atrás, o movimento de queda tende a beneficiar bancos, investidores e compradores.
O alívio no Oriente Médio também entrou na conta. A tensão entre Estados Unidos e Irã vinha pressionando o preço do petróleo e aumentando o risco de uma nova rodada de inflação global. Com menor pressão externa, o Banco Central brasileiro ganhou margem para seguir com a redução dos juros, ainda que sem abandonar o tom de cautela. O Boletim Focus já aponta uma Selic ainda elevada no fim do ano, o que indica que o ciclo pode ser mais lento e menor do que se imaginava.
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Para o mercado imobiliário, a leitura principal está na direção dos juros. Uma Selic em queda reduz gradualmente o custo de captação dos bancos, melhora a disponibilidade de recursos e aumenta a disposição das instituições financeiras para conceder crédito. O efeito nem sempre aparece imediatamente na parcela do comprador, mas começa a influenciar o humor do mercado, as políticas internas dos bancos e a tomada de decisão de quem estava esperando um sinal mais claro.
“A queda de 0,25 ponto pode parecer pequena, mas ela confirma uma direção importante. Para o mercado imobiliário, toda redução da Selic ajuda, porque melhora o custo do dinheiro para os bancos, aumenta a disponibilidade de crédito e faz o comprador voltar a olhar para o financiamento com mais confiança”, afirma Murilo.
O impacto varia conforme a modalidade. No Minha Casa, Minha Vida, a Selic não altera diretamente as taxas cobradas do comprador, porque o programa segue regras próprias, com subsídios e condições definidas pela política habitacional. Para quem se enquadra nas faixas do programa, as condições continuam atrativas independentemente da decisão do Copom.
No SBPE, a relação é mais direta. Como essa linha depende mais do custo de captação, da poupança, dos juros futuros e da estratégia comercial dos bancos, a queda da Selic tende a melhorar o ambiente para novas contratações. Em um ano em que as instituições já demonstram mais apetite pelo crédito imobiliário, o corte reforça a possibilidade de maior competição por clientes qualificados.
A redução dos juros também mexe com o comportamento do investidor. Quando a Selic cai, aplicações conservadoras passam a render menos ao longo do tempo. Parte do dinheiro que estava parado na renda fixa começa a procurar alternativas, e o imóvel volta a ganhar força como opção de proteção patrimonial, valorização e renda com aluguel. Esse movimento tende a aquecer a demanda, principalmente por bons imóveis.
“O investidor que estava confortável ganhando juros altos no banco começa a comparar melhor as alternativas quando a Selic cai. O imóvel volta para a mesa como opção de renda e valorização. Isso aumenta a procura e pode acelerar a valorização dos bons produtos”, analisa Murilo.
O cenário ainda exige cuidado. A inflação segue pressionada, os juros futuros continuam elevados e o Banco Central pode decidir os próximos passos reunião a reunião. Mesmo assim, o corte de 0,25 ponto percentual tem peso simbólico e prático para o mercado imobiliário. Ele não transforma o financiamento da noite para o dia, mas sinaliza melhora gradual no ambiente de crédito.
Para quem pretende comprar imóvel, a recomendação é não esperar uma queda perfeita dos juros para começar a se organizar. A melhor decisão de compra é sempre antecipar os movimentos: selic em queda, momento de compra é agora, após aqueda a demanda aumenta e os preços também, ou seja: quem se antecipda paga mais barato. Quem aguarda, paga o preço da valorização.