Estudo aponta que vistas privilegiadas para cartões-postais da cidade podem elevar significativamente o valor de empreendimentos residenciais no Rio de Janeiro
Em um mercado onde a localização já não é suficiente para diferenciar empreendimentos de alto padrão, a paisagem passou a ocupar lugar central na decisão de compra. Pesquisas internacionais reforçam essa percepção. Estudo publicado em 2026 na revista científica Buildings identificou que apartamentos com vista parcial registraram prêmio médio de cerca de 11%, enquanto unidades com vista plena alcançaram valorização próxima de 22% em comparação a imóveis equivalentes sem esse diferencial. No Rio de Janeiro, onde a geografia da cidade é um dos seus principais patrimônios, incorporadoras vêm transformando a paisagem em um ativo imobiliário tão relevante quanto arquitetura, metragem ou padrão de acabamento.
A tendência acompanha a ascensão do conceito de wellness real estate, segmento que incorpora elementos ligados à saúde física e emocional dos moradores. Nesse contexto, iluminação natural, ventilação cruzada, áreas verdes e vistas privilegiadas passaram a integrar a proposta de valor dos empreendimentos, influenciando diretamente a percepção de bem-estar e qualidade de vida.
“O comprador de alto padrão está cada vez mais interessado na experiência cotidiana proporcionada pelo imóvel. A vista deixou de ser apenas um diferencial estético para se tornar um atributo de valor, associado a conforto, exclusividade e qualidade de vida”, afirma Vasco Rodrigues, CEO da Fator Realty.
A confirmação desse movimento são os empreendimentos lançados neste estilo, com diferenciais como rooftop com piscina e academia voltados para a paisagem da cidade, além de espaços para trabalho remoto, relaxamento e atividades sociais.
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“A combinação entre vista definitiva, localização consolidada e infraestrutura completa tornou-se um dos principais fatores de valorização dos empreendimentos. São atributos difíceis de reproduzir em bairros já adensados da Zona Sul”, afirma Vasco Rodrigues.
Segundo o executivo, a transformação do conceito de luxo ajuda a explicar o fenômeno. Se no passado o mercado valorizava principalmente metragem e acabamento, hoje o foco está cada vez mais na qualidade da experiência proporcionada pelo imóvel.
“O luxo contemporâneo está menos associado à ostentação e mais relacionado à forma como as pessoas vivem. Poder trabalhar, relaxar, receber amigos ou simplesmente contemplar a cidade diante de uma paisagem única passou a ser um diferencial extremamente valorizado”, afirma Blecher.
Nesse cenário, os retrofits e os projetos de nicho ganham espaço como alternativa para atender a uma demanda crescente por moradias que conciliem localização, infraestrutura, design e bem-estar.
“Mais do que uma questão estética, a paisagem passou a ser percebida como um componente da experiência de morar. Em uma cidade onde o mar, montanhas e áreas verdes fazem parte da vida cotidiana, o mercado imobiliário parece ter encontrado uma nova definição para o luxo carioca: viver conectado à cidade sem abrir mão da contemplação”, reforça o executivo Henrique Blecher.