Mercado de luxo prioriza privacidade e muda o mapa imobiliário do litoral catarinense

Redação ImobiPress

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Publicado em 23/04/2026 às 12:48 / Leia em 3 minutos

No mapa imobiliário, luxo e superluxo movimentaram R$ 52,2 bilhões nas capitais em 2025, com alta de 35% nas vendas

O mercado residencial de luxo e superluxo mudou de perfil no país. Em vez de concentrar valor apenas em metragem, altura ou localização ostensiva, parte crescente do segmento passou a valorizar baixa densidade, privacidade e projetos mais difíceis de replicar. Estudo da Brain Inteligência Estratégica mostra que, em 2025, foram vendidas 10.607 unidades acima de R$ 2 milhões nas capitais brasileiras, com alta de 35% sobre o ano anterior. Os lançamentos somaram 11.696 unidades, avanço de 36%. Ainda que representem 3,75% do total de imóveis vendidos, esses produtos responderam por 29,4% do valor negociado no mercado residencial. 

No alto luxo, o valor já não está no prédio mais alto, mas no produto mais raro. Em Balneário Camboriú, onde o preço do metro quadrado já ultrapassa R$ 100 mil em alguns casos, o mercado de alto padrão começa a se espalhar para áreas fora da orla central, em busca de produtos menos adensados.

Esse deslocamento ajuda a explicar a estratégia da Blue Heaven, incorporadora comandada por Fabrício Bellini,  especialista em mercado imobiliário com mais de 20 anos de atuação e que tem apostado em projetos de baixa densidade no litoral catarinense. Um dos casos é o Aquos, em pré-lançamento na Praia do Estaleiro, na região da Interpraias, em Balneário Camboriú, área de natureza preservada, praias com selo Bandeira Azul e alguns dos melhores índices de segurança da cidade. O empreendimento terá 12 unidades em um terreno de 5.000 metros quadrados de frente para o mar, com Valor Geral de Vendas estimado em R$ 340 milhões e apartamentos de até R$ 44 milhões. 

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Bellini explica que a mudança no perfil do comprador já aparece com clareza no segmento. “O cliente de alta renda está menos interessado em ostentação visível e mais atento ao que é difícil de reproduzir: terreno amplo, poucas unidades, privacidade e entorno preservado. O valor deixou de estar só no endereço ou no padrão de acabamento e passou a estar no conjunto que o projeto entrega”, comenta o especialista.

A tendência encontra respaldo também fora do país. No relatório 2026 Luxury Outlook, a Sotheby’s International Realty informa que 81% de seus agentes apontam segurança como prioridade central do comprador de alta renda, enquanto 60% relatam aumento da relevância de fatores ligados a estilo de vida e bem-estar nas decisões de compra. Mais do que uma preferência estética, a busca por imóveis em áreas de baixa densidade, com mais privacidade e maior controle do entorno, passou a orientar a alocação de capital da alta renda.

No caso da Blue Heaven, essa leitura aparece tanto em empreendimentos já lançados, quanto nos projetos em desenvolvimento. O Aquos prevê arquitetura assinada pelo escritório Architects Office, paisagismo de Rodrigo Oliveira, fachadas em concreto pigmentado moldado artesanalmente e coberturas com piscina suspensa de vidro. “A metragem continua importante, mas ela já não se resolve sozinha. O que faz diferença é a combinação entre terreno, poucas unidades e um projeto que nasce a partir das características do lugar”, conclui Bellini.

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