Especialista em consórcio, revela como avaliar taxas, prazos e contemplação para aproveitar as vantagens e evitar surpresas na hora de adquirir uma casa, carro, viagem, cirurgia ou outros elementos
Cada vez mais brasileiros estão optando pelos consórcios para fugir dos juros altos, visto que a taxa Selic segue elevada, atualizada no último mês para 14,75% a.a, que afeta diretamente os financiamentos. Em 2025, o setor de consórcios superou, pela primeira vez na série histórica, o patamar de 5 milhões de adesões e mais de R$ 500 bilhões em créditos comercializados, 32,1% maior do que no ano anterior. O especialista no segmento, Cleber Gomes, CEO da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros no B2B, explica que a modalidade é ideal para quem busca construir patrimônio de maneira segura e previsível, mas é fundamental entender alguns pontos antes de assinar o contrato.
Taxa de administração: quanto menor, melhor?
Todo consórcio possui uma taxa de administração paga às consorciadoras pela gestão e administração do grupo. De acordo com o Banco Central, o percentual da taxa de administração deve estar definido no contrato de adesão. No entanto, o que o especialista destaca é que, na busca pelo consórcio ideal, nem sempre a menor taxa é a melhor opção.
“Normalmente, a taxa de administração varia de acordo com o valor e o tempo máximo do consórcio, no entanto, é importante buscar o equilíbrio entre uma taxa mais baixa e uma administradora bem conceituada no mercado. Ainda assim, vale ressaltar que mesmo com as taxas, os consórcios continuam vantajosos em relação a outras estratégias de aquisição de bens e serviços, explica Gomes”.
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Prazos: é possível saber quando será contemplado?
O CEO da Maestria explica que em um consórcio, o participante pode ser contemplado com a carta de crédito através de sorteio ou lance. A primeira opção é ideal para quem busca construir patrimônio em médio e longo prazo, mas para quem tem pressa, os lances agilizam a contemplação:
“O lance é para quem não quer esperar todo o plano. Neste caso, a pessoa oferece um lance, que é um adiantamento das parcelas, para poder acelerar o processo e não precisar depender apenas do sorteio. Dá até para usar o FGTS para abater o saldo devedor”, ressalta.
Fui contemplado, e agora?
Outro ponto que o executivo com experiência de mais de duas décadas em consórcio esclarece é sobre a contemplação. Gomes detalha que, quando o participante é contemplado, ele não recebe o dinheiro na conta para comprar o bem ou serviço, mas uma carta de crédito que é utilizada para a aquisição da casa, carro, viagem, cirurgia, entre outros elementos que podem ser adquiridos por meio de consórcio.
“O Banco Central até permite com que o participante receba o valor total em dinheiro, mas para isso é preciso ter quitado todas as parcelas e esperar até 180 dias para liberação do valor”, elucida. Ele ainda complementa que entender esses pontos é essencial para transformar o consórcio em uma ferramenta eficiente de planejamento para realização dos objetivos.