Inadimplência com pressão sobre o orçamento das famílias impacta a arrecadação dos condomínios e pode comprometer manutenção, segurança e investimentos.
Mesmo com um mercado condominial mais consolidado e maior capacidade de gestão, São Paulo também tem sentido os efeitos do aumento da inadimplência. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela FecomercioSP, mostraram que a inadimplência das famílias paulistanas permaneceu elevada ao longo de 2025. Em julho, por exemplo, 22,1% dos lares da cidade de São Paulo tinham contas em atraso, o equivalente a cerca de 905,7 mil famílias. O índice foi o maior desde abril de 2024 e superior aos 19,9% registrados no mesmo período do ano anterior.
Outro dado importante é que, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mais de 78% das famílias brasileiras permanecem endividadas, enquanto uma parcela relevante segue com contas em atraso, cenário que impacta diretamente a capacidade de pagamento das despesas condominiais.
O avanço ocorre após uma sequência de oscilações registradas ao longo dos últimos meses, indicando uma deterioração gradual da capacidade financeira de parte dos moradores. Apesar da desaceleração da inflação em comparação aos picos observados nos anos anteriores, os juros ainda permanecem em níveis elevados, pressionando orçamentos domésticos e reduzindo a margem financeira das famílias.
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“Mesmo em um estado com maior renda média, como São Paulo, o aumento do custo de vida e o alto nível de endividamento têm levado muitos moradores a priorizar despesas como crédito, aluguel e financiamentos, deixando as taxas condominiais em segundo plano. O impacto é direto na operação dos condomínios, especialmente naqueles com estruturas mais complexas e custos fixos elevados”, diz Luciano Macedo, CEO do Cerus, instituição financeira especializada em condomínios.
Macedo explica que a inadimplência compromete o fluxo de caixa, dificulta a execução de manutenções e pode resultar no aumento das taxas para os demais moradores, criando um efeito em cadeia.
“Entre os principais riscos para os condomínios estão o adiamento de obras e reformas, a redução de investimentos em segurança, manutenção preventiva e modernização da infraestrutura, além da necessidade de utilização de fundos de reserva para cobrir despesas correntes. Em casos mais graves, o desequilíbrio financeiro pode comprometer contratos com fornecedores e afetar a qualidade dos serviços oferecidos aos moradores”, detalha o executivo do Cerus.
Para os condôminos adimplentes, a consequência costuma ser o aumento das contribuições mensais ou a aprovação de taxas extras para recompor o caixa. Já para os moradores inadimplentes, além da incidência de multa, juros e cobrança judicial, existe o risco de penhora e leilão do imóvel para quitação da dívida, conforme prevê a legislação brasileira.
O cenário exige uma abordagem mais estratégica por parte das administrações.
“Mais do que um indicador financeiro, a inadimplência hoje revela uma mudança estrutural no comportamento de pagamento, o que exige mecanismos que garantam liquidez, reduzam riscos e permitam que os condomínios mantenham seu padrão operacional mesmo em cenários de maior instabilidade”, acrescenta Macedo.
Além de proporcionar previsibilidade financeira, o uso de tecnologia e inteligência de dados possibilita a identificação de padrões de atraso, aprimorando processos de cobrança e aumentando a eficiência na recuperação de créditos.
“Para os gestores condominiais, isso significa menos tempo dedicado a questões operacionais e mais foco no planejamento estratégico, na valorização do patrimônio e na melhoria da experiência dos moradores. Afinal, eles precisam impedir que a inadimplência atrapalhe o funcionamento do condomínio”, explica o CEO da Cerus.
Macedo ressalta que, com acesso a soluções que garantem liquidez e estabilidade financeira, os síndicos e administradoras tomem decisões com mais segurança e mantêm a qualidade dos serviços prestados, mesmo em cenários econômicos mais desafiadores, como os vividos atualmente.
“A inadimplência será sempre um fator preocupante para o setor, mas ela não precisa comprometer a saúde financeira dos empreendimentos. Com planejamento, tecnologia e acesso a soluções adequadas, os condomínios conseguem atravessar períodos de instabilidade com muito mais segurança e estamos prontos a ajudar nisto”, conclui Macedo.