O erro que mais destrói patrimônio costuma acontecer antes da assinatura do contrato

Redação ImobiPress

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Publicado em 02/07/2026 às 12:04 / Leia em 5 minutos

Endividamento recorde e crédito caro expõem falhas de planejamento que podem comprometer patrimônio, investimentos e a saúde financeira das famílias, na compra de imóveis ou veículos

Com 80,9% das famílias brasileiras endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a compra de imóveis, veículos e outros bens de alto valor passou a esconder riscos que vão muito além das parcelas. Especialistas alertam que decisões tomadas sem planejamento, pressa para fechar negócio e escolhas inadequadas de crédito estão entre os principais fatores que levam consumidores a perder dinheiro mesmo quando acreditam estar fazendo um bom investimento.

Para Carlos Fuzinelli, CEO e cofundador da FVL Consórcios, empresa especializada em planejamento financeiro, consórcios e aquisição patrimonial, boa parte dos problemas enfrentados por quem compra imóveis, veículos ou outros bens de alto valor não está necessariamente ligada à falta de renda, mas à ausência de estratégia financeira.

“O erro financeiro mais caro geralmente não é a parcela. É uma decisão tomada sem análise. Quando a compra acontece por impulso ou sem avaliar o impacto de longo prazo, o consumidor pode comprometer anos da sua capacidade de investir e construir patrimônio”, afirma.

O tema ganha relevância em um momento em que o custo do crédito continua elevado. Mesmo após ajustes recentes na taxa Selic, financiamentos e empréstimos seguem pressionando o orçamento das famílias, aumentando a importância de decisões mais criteriosas na contratação de crédito e na aquisição de bens.

Os cinco erros que mais comprometem patrimônio na compra de imóveis e veículos

1. Avaliar apenas a parcela e ignorar o custo efetivo da compra

Muitos consumidores analisam apenas o valor mensal que cabe no orçamento, mas deixam de calcular quanto pagarão ao final da operação. Juros, taxas, seguros e prazos mais longos podem transformar uma compra aparentemente acessível em um compromisso financeiro muito mais caro do que o esperado.

“O valor da parcela raramente conta toda a história. Quem olha apenas para o desembolso mensal corre o risco de assumir uma operação que custará muito mais do que imagina”, explica o executivo.

2. Assumir uma dívida sem planejamento patrimonial e reserva financeira

A aquisição de um imóvel ou veículo não termina na assinatura do contrato. Custos de manutenção, impostos, documentação, seguros e imprevistos precisam fazer parte da conta antes da decisão.

“O planejamento financeiro não deve considerar apenas a compra do bem. É preciso avaliar a capacidade de manter esse patrimônio ao longo dos anos sem comprometer a estabilidade financeira da família”, afirma o especialista em planejamento financeiro.

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3. Escolher a primeira linha de crédito sem comparar alternativas

Financiamento, consórcio, empréstimo com garantia e outras modalidades possuem características, custos e objetivos diferentes. Comparar apenas a facilidade de aprovação costuma levar consumidores a contratar soluções inadequadas para seu perfil financeiro.

Segundo o CEO da FVL Consórcios, a escolha da modalidade deve considerar prazo, custo total, objetivo da aquisição e momento patrimonial do comprador.

“Não existe uma única solução para todos. O melhor crédito é aquele que faz sentido para a realidade financeira de cada pessoa.”

4. Confundir desejo imediato com decisão financeira estratégica

Pressão social, promoções, lançamentos e a sensação de urgência frequentemente aceleram decisões que deveriam passar por uma análise mais criteriosa. Em muitos casos, o consumidor adquire um bem sem avaliar se ele realmente está alinhado aos seus objetivos financeiros.

“O impulso costuma ser um dos maiores inimigos da construção de patrimônio. Muitas compras que parecem urgentes deixam de fazer sentido quando são analisadas com mais calma e planejamento”, observa o empresário.

5. Comprometer excessivamente a renda com parcelas de longo prazo

Um dos principais indicadores de risco financeiro é o percentual da renda comprometido com dívidas. Quando a aquisição de um bem consome uma parcela excessiva do orçamento, a capacidade de poupar, investir e absorver imprevistos diminui significativamente.

“O patrimônio deve trazer segurança, não preocupação. Quando a compra compromete grande parte da renda, a família perde flexibilidade financeira e aumenta sua exposição a riscos futuros”, alerta o especialista em aquisição patrimonial.

A educação financeira ganha cada vez mais relevância diante do aumento do endividamento e da necessidade de decisões patrimoniais mais sustentáveis. Para o cofundador da FVL Consórcios, a maior parte dos prejuízos financeiros não vem da falta de oportunidade, mas da falta de planejamento.

“O consumidor costuma dedicar muito tempo para escolher o imóvel ou o veículo, mas pouco tempo para escolher a forma de pagamento. E justamente essa decisão financeira pode determinar se aquela compra vai fortalecer ou enfraquecer seu patrimônio ao longo dos próximos anos”, afirma.

Na avaliação do executivo, três perguntas deveriam anteceder qualquer aquisição de alto valor: qual será o impacto da compra no orçamento futuro, qual o custo total da operação e como aquele bem contribui para a construção de patrimônio no longo prazo.

“Quem busca comprar um imóvel, veículo ou qualquer bem de alto valor precisa olhar além do preço. Planejamento financeiro, escolha correta do crédito e visão de longo prazo são fatores que determinam se aquela aquisição vai fortalecer ou comprometer a construção de patrimônio”, conclui.

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