Mesmo com a Selic elevada, recorde na intenção de compra leva 26% dos potenciais compradores a buscar imóveis para investimento, apontam Abrainq/FIPE e Brain
A busca por imóveis como ativo de proteção e rentabilidade segue em ritmo acelerado no Brasil, desafiando o cenário de juros altos. De acordo com o Indicador de Antecedentes Imobiliários (Abrainq/FIPE), o setor imobiliário mantém sua posição entre as opções de investimento preferidas do brasileiro para preservação de patrimônio.
Acompanhando esse movimento, a última sondagem da Brain Consultoria revelou que a intenção de compra atingiu 52%, o maior patamar da série histórica, impulsionada por um perfil cada vez mais investidor: 26% dos interessados buscam imóveis especificamente para esse fim, seja para locação de curto/longo prazo ou para rentabilidade via revenda.
O cenário reforça que investir em imóveis continua sendo uma das estratégias preferidas dos brasileiros para construir patrimônio e diversificar os investimentos. No entanto, especialistas alertam que o sucesso da operação depende de planejamento. Segundo Ramiro Delgado, CEO do Trade Imobiliário, consultoria especializada em investimentos imobiliários e referência em operações de house flipping, o sucesso de um investimento depende muito mais da estratégia adotada do que do valor disponível para começar.
“O erro mais comum é acreditar que qualquer imóvel representa uma boa oportunidade. Investir exige análise técnica, conhecimento de mercado e planejamento financeiro. Quando esses fatores são considerados, é possível reduzir riscos e aumentar significativamente o potencial de valorização”, afirma.
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O especialista destaca três pontos fundamentais para quem deseja dar os primeiros passos no setor.
1 – Compre pela oportunidade, não pela emoção
A localização continua sendo um dos principais fatores para um bom investimento, mas ela deve ser analisada em conjunto com outros aspectos, como liquidez, demanda, potencial de valorização e custo de aquisição.
Segundo Ramiro Delgado, bairros consolidados e com alta procura, como Ipanema, Copacabana e Botafogo, no Rio de Janeiro, ou Pinheiros, Vila Mariana e Moema, em São Paulo, costumam oferecer maior facilidade de revenda ou locação. No entanto, isso não significa que todo imóvel nessas regiões seja um bom negócio.
“Mais importante do que comprar em um bairro valorizado é identificar imóveis negociados abaixo do preço de mercado e que tenham potencial de gerar valor. Um bom investimento nasce da combinação entre localização, preço de compra e possibilidade de valorização. A decisão precisa fazer sentido financeiramente, e não ser motivada pela emoção”, explica Ramiro.
2 – Faça as contas antes de fechar negócio
Além do preço de aquisição, é fundamental considerar todos os custos envolvidos na operação, como ITBI (que varia conforme o município e pode chegar a cerca de 3% do valor do imóvel), despesas com escritura e registro, possíveis reformas, condomínio, IPTU, manutenção e, quando houver financiamento, os juros da operação.
Segundo Ramiro Delgado, muitos investidores iniciantes analisam apenas o valor de compra e acabam comprometendo a rentabilidade ao subestimar esses custos adicionais.
“O lucro é definido na entrada. Um imóvel aparentemente barato pode deixar de ser um bom negócio quando todos os custos são colocados na ponta do lápis. Quanto mais detalhado for o planejamento financeiro antes da aquisição, menores são as chances de surpresas e maior a previsibilidade do retorno”, afirma.
3 – Defina uma estratégia antes de investir
Antes de comprar um imóvel, é importante definir qual é o objetivo do investimento. Segundo Ramiro Delgado, cada estratégia atende a um perfil diferente de investidor.
Perfis mais conservadores costumam priorizar imóveis voltados para locação, buscando previsibilidade na geração de renda e valorização gradual do patrimônio. Já quem possui um perfil moderado pode apostar em imóveis com potencial de valorização em bairros em desenvolvimento, aguardando o momento ideal para a venda. Para investidores com perfil mais dinâmico, existem estratégias como o house flipping, que oferece potencial de retorno em prazos menores, mas exige maior conhecimento do mercado.
“Não existe uma estratégia melhor, e sim a mais adequada para cada perfil. O importante é estudar as opções, entender os riscos, o prazo de retorno e definir o objetivo antes de escolher o imóvel. Isso aumenta as chances de um investimento bem-sucedido”, conclui Ramiro.