Embora 93% das profissionais reconheçam avanços na presença das mulheres no mercado imobiliário, apenas 28% identificam cargos de liderança predominantemente ocupados por elas
As mulheres já representam cerca de 40% dos profissionais do mercado imobiliário brasileiro, segundo a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI). O avanço da participação feminina, no entanto, ainda não se reflete na ocupação de cargos estratégicos e de liderança, um dos principais desafios enfrentados pelo setor.
O dado é reforçado pela pesquisa “O Lado Feminino do Mercado Imobiliário“, que faz parte da trajetória de impacto do Instituto Mulheres do Imobiliário (IMI). O levantamento revela que 93% das profissionais acreditam que as mulheres conquistaram mais espaço no setor, mas apenas 28% identificam cargos de liderança predominantemente ocupados por mulheres. Além disso, 61% afirmam já ter vivenciado algum tipo de assédio moral, verbal ou sexual ao longo da carreira.
Os dados evidenciam que, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, a representatividade feminina ainda não se traduz, na mesma proporção, em poder de decisão dentro das empresas, incorporadoras, instituições financeiras e entidades do setor.
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Avanços e desafios da liderança feminina
Para Elisa Rosenthal, fundadora e presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário, o crescimento da participação feminina reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário, impulsionada pela profissionalização do setor e pela diversificação dos perfis de liderança.
“O mercado imobiliário está lidando com mudanças profundas no perfil das famílias, nas formas de morar, de investir e de consumir. É natural que as empresas precisem refletir essa diversidade também em suas lideranças. Quando diferentes experiências participam das decisões, a leitura do mercado se torna mais completa e as respostas tendem a ser mais aderentes à realidade do setor”, explica.
Segundo a executiva, a evolução tecnológica, a digitalização dos processos comerciais e o uso crescente de inteligência de dados e inteligência artificial vêm reduzindo barreiras históricas da profissão e criando novas oportunidades para lideranças com perfil mais estratégico e consultivo.
“As redes sociais permitiram que diversas profissionais construíssem autoridade, atraíssem clientes e criassem seus próprios negócios. Hoje vemos mulheres comandando operações de sucesso e influenciando o mercado, mas essa evolução ainda precisa chegar às estruturas de liderança das grandes empresas e das entidades do setor.”
Cenário ainda exige avanço na liderança feminina
Embora a participação feminina avance em praticamente todos os segmentos da cadeia imobiliária, a presença das mulheres em posições estratégicas ainda não acompanha esse crescimento. O desafio passa por ampliar a representatividade em diretorias, conselhos, incorporadoras, instituições financeiras e empresas de desenvolvimento imobiliário, refletindo a crescente atuação feminina em toda a cadeia do setor.
Para o Instituto Mulheres do Imobiliário (IMI), a transformação depende não apenas do aumento da participação das mulheres no mercado, mas também da criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento de lideranças, ampliem oportunidades de crescimento profissional e promovam maior equidade nas estruturas de decisão.
“O mercado imobiliário já não pode mais olhar para a participação feminina como uma tendência futura. Ela já faz parte da realidade do setor. A conversa agora é como empresas, entidades e lideranças vão responder a essa mudança, criando estruturas capazes de reconhecer talentos, desenvolver carreiras e refletir a sociedade que o próprio mercado atende.” conclui Elisa Rosenthal.