Novo corte do Copom melhora a perspectiva para o crédito, mas as taxas oferecidas pelos bancos não recuam automaticamente e afeta mercado imobiliário
Na noite desta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual prolongou o ciclo iniciado em março e reforçou a expectativa de melhora gradual no crédito imobiliário. Para quem pretende comprar um imóvel, a mudança também reacende uma dúvida: esperar juros menores ou aproveitar os preços atuais?
Para Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, o efeito mais importante pode aparecer antes mesmo de os bancos reduzirem suas taxas. A perspectiva de juros menores costuma recuperar a confiança dos compradores, aumentar a procura por crédito e levar mais famílias aos plantões de venda. Esse movimento tende a elevar a demanda por imóveis prontos e lançamentos.
O histórico das decisões do Copom mostra que a Selic foi mantida em 15% na reunião de janeiro. O ciclo de cortes começou em março, quando a taxa passou para 14,75%, e continuou em abril, com redução para 14,50%, e em junho, para 14,25%. A decisão de agosto representa, nesse sentido, o quarto corte consecutivo desde o início da flexibilização monetária.
A redução da Selic não será reproduzida imediatamente nem na mesma proporção pelas taxas de financiamento imobiliário. Os bancos também consideram custo de captação, comportamento dos juros de longo prazo, risco de inadimplência, concorrência e perfil do cliente. Os contratos que já estão em andamento seguem as condições definidas na assinatura.
“O mercado imobiliário trabalha com financiamentos longos. Quando a expectativa para os juros melhora, mais pessoas voltam a simular, conseguem valores maiores na análise de crédito ou decidem antecipar a compra. A demanda começa a reagir antes de toda a queda chegar às taxas oferecidas pelos bancos”, explica Arjona.
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Esse aumento da procura pode pressionar os preços. A oferta de imóveis não cresce na mesma velocidade que a demanda, porque novos empreendimentos levam tempo para ser aprovados, construídos e entregues. Em regiões com poucas unidades disponíveis, a entrada de mais compradores tende a reduzir o espaço para descontos e acelerar a valorização.
É nesse ponto que esperar pela menor taxa possível pode produzir um resultado diferente do imaginado. O comprador pode encontrar juros mais baixos no futuro, mas precisar financiar um imóvel que já ficou mais caro. A redução obtida na taxa pode ser parcialmente anulada pela valorização da unidade e pela necessidade de uma entrada maior.
“Quem compra antes de a queda dos juros movimentar toda a demanda pode aproveitar um preço de oportunidade. Se as taxas de financiamento recuarem mais adiante, existe a possibilidade de avaliar uma portabilidade. O comprador preserva o preço do imóvel e ainda pode buscar condições melhores para o saldo devedor no futuro”, afirma o especialista.
A portabilidade permite transferir o financiamento para outra instituição que ofereça uma taxa mais vantajosa. A operação passa por nova análise e deve considerar o Custo Efetivo Total, os seguros e as condições do contrato. Ela cria uma alternativa para quem compra durante um período de juros elevados e encontra propostas melhores ao longo dos anos.
O novo corte fortalece a perspectiva de recuperação do mercado imobiliário, mas também pode encurtar a janela de negociação disponível ao comprador. Na leitura do especialista, a taxa atual não deve ser observada isoladamente: quem espera todo o ciclo de queda pode disputar o mesmo imóvel com mais compradores e encontrar preços maiores. A oportunidade tende a ser mais favorável antes que os juros menores sejam totalmente incorporados pela demanda.