Tema de 2026 chama atenção para o direito à habitação, enquanto nova diretriz internacional sobre formação arquitetônica inclui orientações específicas para o uso de IA
O Dia Mundial da Arquitetura, celebrado em 5 de outubro de 2026, coloca a moradia no centro da discussão internacional. Neste ano, a União Internacional dos Arquitetos (UIA) definiu como tema “Housing is a Human Right. Build It.” (“Moradia é um direito humano. Construa-a.”), em sintonia com o tema do Dia Mundial do Habitat da ONU, “Adequate Housing for All”. A entidade chama atenção para a crise habitacional e para a necessidade de soluções de moradia mais acessíveis, inclusivas e adequadas às diferentes realidades.
A discussão sobre como projetar e construir esses espaços acontece, porém, em um momento de transformação tecnológica da própria arquitetura. A inteligência artificial deixou de ser utilizada apenas como ferramenta experimental e passou a integrar etapas do trabalho de profissionais, principalmente na visualização, apresentação e exploração de alternativas para projetos.
Para Alexandre Kuhn, cofundador do Redraw, essa mudança pode afetar justamente a maneira como o arquiteto desenvolve suas ideias. Com a possibilidade de gerar e testar diferentes alternativas em menos tempo, o profissional pode dedicar mais espaço à análise de soluções, à experimentação e às decisões que envolvem o projeto.
“A IA não precisa ocupar o lugar do arquiteto para transformar a arquitetura. Quando uma tecnologia consegue reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais, o profissional ganha espaço para experimentar mais, comparar possibilidades e se concentrar nas decisões que realmente definem um projeto. A tecnologia passa a ser uma ferramenta para ampliar o processo criativo, e não para substituir quem projeta”, afirma Kuhn.
Maquetes de alto realismo aproximam projetos de arquitetura do público
Mais do que acelerar a produção de imagens, a proposta da tecnologia é ampliar as possibilidades durante o desenvolvimento de um projeto. A IA pode ajudar a visualizar diferentes materiais, ambientes, elementos e soluções antes da execução, permitindo que o arquiteto explore caminhos que poderiam demandar mais tempo em processos tradicionais.
Nesse processo, o próprio papel do arquiteto também pode mudar. Em vez de apenas utilizar a inteligência artificial para executar determinadas tarefas, o profissional tende a assumir cada vez mais a função de direcionar a ferramenta, transformando ideias, referências e necessidades em comandos capazes de gerar diferentes possibilidades. Nesse sentido, o arquiteto pode se tornar também um grande criador de prompts, responsável por formular as instruções, avaliar os resultados apresentados pela IA, fazer ajustes e definir quais soluções fazem sentido para cada projeto.
A própria UIA, ao definir o tema de 2026, destaca que enfrentar a crise habitacional exige soluções práticas, sustentáveis e adaptadas aos diferentes contextos, incluindo novas formas de pensar o aproveitamento do espaço construído. Nesse cenário, o avanço das ferramentas digitais adiciona uma nova camada ao debate: como utilizar a tecnologia para ampliar a capacidade de projetar espaços mais adequados às necessidades das pessoas sem retirar do arquiteto a responsabilidade pelas decisões que definem esses ambientes.
Para Alexandre, esse processo também muda o papel da tecnologia dentro do escritório.
“O objetivo não é fazer com que a IA projete sozinha, mas devolver tempo para que o arquiteto possa projetar melhor. Quando a ferramenta assume parte do trabalho repetitivo, o profissional consegue voltar sua atenção para o projeto, para o contexto e para as necessidades de quem vai ocupar aquele espaço”, completa.