Com diferentes estilos e cores, a madeira cria atmosferas e sensações como aconchego, leveza e austeridade, sempre a depender do estilo e perfil do morador
Poucos materiais utilizados na arquitetura de interiores despertam apreço emocional, sofisticação, versatilidade e a capacidade de dialogar tão perfeitamente com a linguagem do projeto. Desde sempre, a madeira carrega essas capacidades em função das suas inúmeras possibilidades de utilização, resistência e a imagética representada pelos desenhos que retratam suas interfaces únicas, o elo com a natureza e a maneira como se conecta com o ser humano.
Para a arquiteta Patricia Penna, a melhor madeira para o projeto é aquela que melhor se alinha com as demandas do projeto. Em se tratando da matéria-prima natural, ela explica que a definição leva em conta a sua robustez; a estabilidade dimensional que atesta a integridade de manter suas dimensões originais diante das alterações de temperatura e umidade; a usinabilidade, que se refere à maneira como responde durante o corte, perfurações e outras atividades que relacionam com a construção de sua forma e o design; disponibilidade e, por fim, a procedência
“Destaco, especialmente, os últimos dois pontos, pois se relacionam com a responsabilidade do profissional com o meio ambiente” enfatiza.
Madeiras de alto padrão
Entre as mais adotadas para a concepção de mobiliários, a profissional relaciona o mogno por seu tom quente e a facilidade para a obtenção de acabamentos primorosos; o cedro, devido à variação que transita entre o rosado, castanho-claro e avermelhado e o carvalho com suas nuances mais claras e que abrangem desde o bege, palha, tons dourados, mel e castanhos.
Ela também enumera algumas das espécies de alta performance para pisos como o cumaru, com suas matizes de castanho-amarelo e o avermelhado, e os tons quentes e castanhos da itaúna.
“As duas são belíssimas tanto nas superfícies internas, como na execução de decks”, indica Patricia.
Historicamente, o mogno e o carvalho, tanto o americano quanto o francês, estão ligados à tradição do mobiliário clássico com desenhos extremamente refinados. Entretanto, ela ressalta que essa premissa não está diretamente relacionada diretamente às duas madeiras citadas.
“É perfeitamente possível alcançarmos um resultado semelhante, desde que as especificidades de outros tipos sejam respeitados”, discorre a arquiteta.
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Lâminas
Patricia ressalta que as lâminas naturais ou revestimentos decorativos que reproduzem as espécies, aumentam a potencialidade da madeira nos projetos de interiores.
“Nesta seara, eu diria que o céu é o limite”, opina mencionando a capacidade de incorporar nos ambientes, inclusive, tipologias exóticas como o pau-ferro, ébano de macassar, Tanganica e Rádica.
Tonalidades
Atributos como a leveza visual, tátil e o acompanhamento sensorial conduzem a escolha pelas madeiras mais claras nos projetos de interiores, em uma referência direta ao estilo nórdico do décor.
A arquiteta relaciona que a aparência de espécies já citadas, como o freijó e o carvalho americano, podem compor absolutamente todos os ambientes residenciais, desde que alinhados com o estilo e o objetivo almejado para o projeto.
Por outro lado, Patricia relata que, desde sempre, as madeiras escuras foram associadas ao clássico tanto da arquitetura europeia, como do período colonial brasileiro. Mas isso não quer dizer que a referência perdeu espaço: a coloração mais profunda foi reinserida nos projetos contemporâneos para designar, além da sobriedade, contrastes com outros materiais, volumes e formas.
O conselho é trabalhar o equilíbrio para que a austeridade da sua presença não se torne um conflito”, opina, acrescentando que a cor costuma ser bem recebida em escritórios, salas de TV e jantar.Contudo, a profissional salienta:
“Não há escolha errada quando sobre a cor, uma vez que o gosto pessoal, as especificidades de cada projeto e a composição com os demais materiais também atuam como agentes para a harmonia do ambiente.” Essa possibilidade reafirma o caráter polivalente do material, que une aconchego e funcionalidade.
CuidadosPor fim, a profissional adverte que a madeira natural pode sofrer alterações de cores em decorrência da insolação direta ou indireta. Nas opções mais claras, pode ocorrer um efeito ‘caramelado’ ou até mais escuro e a prerrogativa também vale para as versões escuras, que podem oxidar ou desbotar ao longo do tempo.
“É essencial tratar e proteger a superfície por meio da aplicação de acabamentos ou vernize”, orienta.