De acordo com especialista, definição do cenário político não representa, por si só, uma perspectiva de melhora e crescimento para o setor; eficiência comercial e controle de custos serão determinantes para as imobiliárias
A definição do cenário político brasileiro após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva deve colocar em evidência os desafios e as oportunidades para o mercado imobiliário em 2027. Mais do que os resultados eleitorais, porém, serão as condições de crédito, o comportamento dos juros e a confiança econômica que deverão determinar o ritmo de negócios no setor. Para Rafael Sanches, especialista em marketing imobiliário e à frente da Sanchez, agência de performance e estruturação de processos para o mercado imobiliário, o momento exige cautela e planejamento estratégico.
Embora a habitação popular possa continuar encontrando oportunidades em políticas públicas de financiamento e subsídios, o cenário para os segmentos de médio e alto padrão permanece condicionado ao custo do crédito. Com os juros ainda elevados e a perspectiva de novas pressões sobre as taxas, a aquisição de imóveis financiados pode continuar sendo um desafio para parte dos compradores, impactando o tempo de decisão, o ciclo de vendas e a previsibilidade das imobiliárias.
“A definição do cenário político ajuda as empresas a estabelecerem suas premissas para o planejamento, mas não significa, necessariamente, que teremos um mercado imobiliário mais aquecido. Se o crédito continuar caro, o consumidor tende a avaliar a compra com mais cautela, e as empresas precisam estar preparadas para trabalhar em um ambiente de maior competitividade.”, avalia Rafael Sanches.
Outro fator de atenção será a condução da política fiscal. Eventuais preocupações com as contas públicas podem pressionar os juros futuros e dificultar as condições de financiamento, afetando tanto a decisão de compra quanto o desempenho comercial das empresas. Nesse contexto, a expectativa de crescimento precisa ser acompanhada de uma leitura realista dos indicadores econômicos e das particularidades de cada segmento imobiliário.
Para as imobiliárias, o desafio não estará apenas em gerar demanda, mas em aproveitar melhor as oportunidades disponíveis. A tendência é que a eficiência dos investimentos em marketing, a qualificação dos leads e a capacidade das equipes comerciais de transformar contatos em vendas e locações ganhem ainda mais relevância. Em um mercado no qual conquistar clientes pode exigir mais tempo e recursos, ampliar os investimentos em anúncios sem avaliar a qualidade dos contatos e os resultados efetivos pode comprometer a rentabilidade.
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“Em cenários mais desafiadores, não basta aumentar o investimento em mídia e esperar que as vendas acompanhem esse movimento. É necessário entender de onde vêm os melhores contatos, como a equipe comercial trabalha esses leads e em quais etapas as oportunidades estão sendo perdidas. O crescimento depende de um processo estruturado, que permita diagnosticar os gargalos e tomar decisões com base em dados.”, afirma Sanches.
A preparação para 2027 também envolve uma revisão da estrutura financeira e operacional das empresas. Custos, comissões, despesas de marketing e planejamento tributário devem entrar na pauta de gestores, especialmente diante das mudanças decorrentes da reforma tributária e de seus possíveis impactos sobre as operações imobiliárias. A recomendação é que as empresas acompanhem as atualizações legais com profissionais contábeis e tributários especializados, evitando decisões baseadas em projeções genéricas.
Nesse contexto, a atuação de parceiros especializados em performance imobiliária pode ganhar espaço, principalmente quando o trabalho vai além da compra de mídia e envolve a análise dos processos, o posicionamento digital, a geração de oportunidades qualificadas e a eficiência da operação comercial.
Para a Sanchez, a capacidade de diagnosticar a realidade de cada negócio e estruturar processos compatíveis com seus objetivos será um diferencial competitivo. Em vez de adotar estratégias padronizadas, as imobiliárias precisarão compreender seus indicadores, revisar o que não funciona e direcionar os recursos para ações com maior potencial de retorno.
A perspectiva para 2027, portanto, é de um mercado condicionado pela relação entre juros, crédito, políticas habitacionais e confiança econômica. A vitória eleitoral estabelece o contexto político, mas não garante valorização dos imóveis nem crescimento das vendas. Em um ambiente que ainda pode apresentar restrições, empresas que aliarem controle de custos, planejamento e eficiência comercial terão melhores condições de proteger suas margens e aproveitar as oportunidades que surgirem.