Do sonho da casa própria ao ativo financeiro: como as novas gerações transformaram o mercado imobiliário

Redação ImobiPress

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Publicado em 28/10/2026 às 15:20 / Leia em 4 minutos

As gerações Millennials e Geração Z mudam a forma de morar, comprar e investir em imóveis

O mercado imobiliário vive uma transformação impulsionada pelas diferenças de comportamento entre as gerações. Se no passado a compra de um imóvel representava o ápice da estabilidade familiar e uma conquista para a vida inteira, hoje a Geração Z e os Millennials redefiniram prioridades, dando mais valor para flexibilidade, eficiência e rentabilidade.

Essa mudança de postura se reflete diretamente nos produtos buscados. Segundo Elza Rocha Loures, presidente da Una Imóveis Conectados, há uma demanda crescente por estúdios e apartamentos compactos, com plantas integradas e funcionais.

“O jovem busca praticidade, boa localização e aproveitamento dos espaços, tudo isso sem pagar por um metro quadrado que não utiliza”, explica.

Essa racionalização do espaço privativo abriu caminho para o fortalecimento das áreas comuns. Estruturas como coworking, lavanderia compartilhada, academia, espaço pet e áreas de lazer se tornaram extensões do próprio apartamento. Para Elza, essas facilidades compensam uma metragem menor, desde que garantam conveniência e custo-benefício.

Além da infraestrutura do condomínio, a localização ganhou novos critérios. A proximidade de eixos de transporte, aliada ao fácil acesso a parques, comércios e opções de lazer, superou a antiga preferência por bairros estritamente residenciais.

“O jovem quer economizar tempo, reduzir deslocamentos e ter mais praticidade no dia a dia”, destaca a presidente.

O imóvel como ativo e o novo perfil do comprador

Do ponto de vista financeiro, a perspectiva sobre a propriedade também mudou. O imóvel deixou de ser visto exclusivamente como um bem definitivo e passou a ocupar o lugar de ativo financeiro temporário, pensado para moradia de médio prazo com foco em futura valorização e rentabilização via locação.

Essa mudança no comportamento de compra é impulsionada, em grande parte, pelo acesso facilitado a dados e ferramentas tecnológicas. Leonardo Baggio, diretor da Baggio Imóveis, explica que o jovem de hoje chega à imobiliária muito mais informado do que anos atrás para avaliar o potencial financeiro do negócio.

“Antes a pessoa tinha aquele sonho da conquista da casa própria para ficar a vida inteira. Hoje em dia, a perspectiva de futuro, de rentabilidade e de valorização do imóvel acaba pesando muito na tomada de decisão. A maioria adota esse viés de investimento, além da conveniência, comodidade e tamanho”, afirma.

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Essa diversidade de perfis também exigiu adaptações na concessão de crédito e nas análises de garantias locatícias. A consolidação da economia sob demanda (gig economy) e a multiplicidade de fontes de renda (profissionais com empregos fixos que realizam atividades complementares) demandam um olhar mais dinâmico do setor. 

“As imobiliárias precisaram tornar a análise de crédito mais inteligente e efetiva para acolher essa nova realidade financeira, que afeta o mercado de forma geral”, acrescenta Leonardo Baggio. 

Exigência por agilidade e jornadas 100% digitais

A transformação no perfil do consumidor impactou diretamente os processos operacionais do setor. Para Baggio, o marco divisor foi a pandemia, que acelerou a digitalização das jornadas de atendimento, incluindo visitas virtuais, vistorias e assinaturas digitais de contratos, permitindo que negociações de locação sejam concluídas sem que o cliente precise ir presencialmente à imobiliária.

Junto com a tecnologia, veio um novo patamar de exigência no relacionamento.

“Criou-se um senso de urgência e o consumidor está buscando cada vez mais agilidade, sendo menos tolerante à demora”, observa.

Segundo ele, o foco das empresas precisa estar continuamente voltado para a otimização da experiência do cliente.

“Em um cenário onde as fronteiras entre morar, trabalhar e investir se misturam, o mercado imobiliário precisa entregar não apenas metros quadrados, mas agilidade, localização estratégica e inteligência financeira”, complementa. 

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