Copa do Mundo é um bom momento para vender imóveis?

Redação ImobiPress

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Publicado em 19/06/2026 às 15:08 / Leia em 4 minutos

Empresa especializada em IA para o mercado imobiliário argumenta que o torneio da Copa barateia publicidade digital e abre janelas estratégicas para conquistar compradores

Está vendo tudo de verde e amarelo? No mercado imobiliário, a Copa do Mundo costuma ser tratada como um período de baixa produtividade. Lançamentos são adiados, verbas de mídia são cortadas e plantões desaceleram sob a justificativa de que o consumidor “só pensa em futebol”. A Morada.ai, empresa especializada em inteligência artificial para o setor, contesta essa leitura. A empresa sustenta que o torneio, longe de travar as vendas, pode aumentar o custo de publicidade digital e até acelerar decisões de compra.

A tese central da Morada.ai é que a paralisação provocada pelo campeonato é mais percebida do que real. Segundo a empresa, a Copa não altera a necessidade estrutural de moradia nem interrompe, de fato, jornadas de compra que já estão em curso. A Morada.ai comprova sua tese com a análise de ciclos anteriores. No caso da Copa de 2014, realizada no Brasil, houve o crescimento do financiamento imobiliário com recursos da poupança, com volume de R$ 53,7 bilhões no primeiro semestre, alta de 11% em relação a 2013. Em 2018, ano de Copa e eleição presidencial, as vendas subiram mais de 19% no semestre do torneio, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Já em 2022, em uma Copa atípica disputada em dezembro, houve um avanço de 12% no volume de unidades comercializadas, com o mercado mostrando resiliência mesmo em meio à Black Friday, às eleições e ao Natal.

“Existe um comportamento de manada entre as incorporadoras na Copa do Mundo, como se o torneio concentrasse toda a atenção do consumidor e justificasse congelar as vendas. Gestores comerciais e de marketing pausam suas operações, reduzem plantões e somem do radar do cliente”, aponta Ramon Azevedo, CEO da Morada.ai.

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Para ele, esse movimento cria uma janela para os concorrentes que mantêm campanhas ativas, especialmente em mídias digitais, onde a disputa por espaço publicitário cai durante os jogos.

“O consumidor pode até mudar o horário em que responde a um corretor ou interage com campanhas, mas não abandona o processo de decisão”, explica.

Luis Veloso, CRO da Morada.ai, reforça que a lógica do mercado imobiliário é distinta da lógica de consumo imediato.

“Imóvel não é compra por impulso, e a jornada costuma ser longa, complexa e atravessada por fatores como crédito, renda, FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] e planejamento familiar”, lembra.

Ele avalia que, justamente por isso, a Copa não tem força suficiente para interromper a demanda.

“O que a Copa faz, na verdade, é mudar a rotina de resposta do público, criando janelas de contato diferentes. Obviamente, fora dos horários dos jogos do Brasil.”

A Morada.ai desmonta ainda o mito de que “se o Brasil perder, o cliente não compra”.

“A necessidade de moradia, a aprovação de crédito, a pressão do aluguel, nada disso depende dos resultados da Copa. A frustração esportiva não interrompe a decisão de compra de um patrimônio”, argumenta o CEO.

De acordo com Ramon, a projeção para a Copa do Mundo 2026 é ainda mais favorável. Ele destaca o papel do Minha Casa Minha Vida (MCMV) como motor do setor imobiliário, enquanto linhas de crédito apoiadas pelo FGTS e pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPEE) suportam a compra de imóveis de médio e alto padrão.

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