Sua casa é mais fria que a rua? O problema pode ter começado na construção

Redação ImobiPress

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Publicado em 23/07/2026 às 14:58 / Leia em 4 minutos

Especialista explica por que muitas construções brasileiras têm problema com baixo desempenho térmico e afirma que investir de 5% a 10% na obra pode reduzir ou até eliminar a necessidade de aquecedores

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, muitos brasileiros enfrentam um incômodo recorrente: a sensação de que o ambiente interno está mais frio que a rua. O fenômeno, popularmente conhecido como “casas geladeiras”, expõe uma falha crônica nos métodos de construção do país. Para explicar por que isso acontece e como resolver o problema, Vitor Del Giudice Pena, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIASSELVI, detalha as causas e aponta soluções que vão desde o planejamento da obra até adaptações de baixo custo.

A principal causa do problema, segundo o especialista, é a priorização da estética e do baixo custo em detrimento do conforto.

“A maioria das casas brasileiras é feita na construção com tijolos ou blocos sem nenhum isolamento térmico. No inverno, essas paredes pesadas absorvem a baixa temperatura externa e dissipam todo o calor interno para a rua. Como o ar dentro de casa fica estagnado e as paredes, pisos e lajes estão constantemente geladas, elas passam a ‘irradiar frio’ para os moradores. Na rua, o sol ou mesmo a movimentação do ar quebram essa sensação de confinamento gelado, tornando o interior da edificação termicamente pior do que o ambiente externo”, explica Vitor.

Para quem está planejando construir ou reformar, o professor destaca que o isolamento térmico é um investimento com retorno garantido. O acréscimo no custo direto da obra gira entre 5% e 10%.

“Esse valor engloba barreiras térmicas, como mantas na cobertura, paredes duplas com miolo isolante ou sistemas de reboco térmico externo. O custo se paga pela eliminação ou redução drástica da necessidade de uso contínuo de aquecedores elétricos, que possuem alto consumo de energia”, detalha.

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Substituições simples para resolver o problema

As três principais dicas para garantir o conforto térmico desde a obra são: direcionar quartos e salas para a face norte (que recebe mais sol no inverno), isolar a cobertura com mantas ou telhas sanduíche para reter o ar quente e adotar janelas e portas com boa vedação, eliminando frestas por onde o ar frio entra.

Segundo o professor, os principais erros na hora de construir são a falta de estudo da orientação solar (deixando dormitórios sem nenhuma insolação no inverno), esquadrias com frestas que geram infiltração de ar frio e ausência de transições térmicas.

“Paredes de alvenaria simples podem ser substituídas por paredes duplas com isolamento ou receber revestimento interno em gesso acartonado com miolo isolante. Forros de PVC e telhas simples podem ser substituídas por telhas ‘sanduíche’ ou adicionar mantas aluminizadas pesadas sobre a laje/forro, impedindo que o ar quente (que sobe por convecção) escape pelo teto”, aponta.

Ele também chama atenção para pisos e janelas.

“Pisos cerâmicos e porcelanatos podem ser trocados por pisos vinílicos, laminados ou madeira, que possuem menor condutividade térmica e não dão a sensação de ‘chão gelado’. Já os vidros simples e esquadrias frouxas nas janelas podem ser substituídos por esquadrias com escovas de vedação eficientes e, se possível, vidros duplos para mitigar a perda de calor por condução na janela”, diz.

Para quem já tem o imóvel construído e busca soluções rápidas e econômicas, o professor da UNIASSELVI garante que é possível melhorar o conforto com medidas do tipo “faça você mesmo”. A principal estratégia é reter o calor interno e isolar o contato com as superfícies frias.

“O uso de cortinas pesadas, a aplicação de veda-frestas em janelas e o uso de tapetes encorpados sobre pisos cerâmicos são ações eficientes. Essas barreiras impedem a troca de calor com o exterior e quebram a sensação de ‘chão gelado’, tornando o ambiente muito mais aconchegante”, conclui.

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