Imóveis perto do mar: erros que aceleram o desgaste

Redação ImobiPress

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Publicado em 03/06/2026 às 13:25 / Leia em 3 minutos

Falhas de projeto, materiais inadequados e falta de manutenção podem acelerar a desgaste de imóveis em regiões litorâneas.

Com a valorização dos imóveis no litoral e a crescente busca por qualidade de vida próximo ao mar, cada vez mais brasileiros têm investido em casas e apartamentos em cidades costeiras. O que muitos proprietários descobrem apenas depois da entrega da obra, porém, é que construir à beira-mar exige cuidados técnicos muito diferentes daqueles adotados em regiões urbanas convencionais.

Portões enferrujados, ferragens comprometidas, revestimentos descolando, infiltrações e custos frequentes de manutenção estão entre os problemas mais comuns em imóveis expostos à maresia. A combinação entre alta umidade, salinidade e variações constantes de temperatura acelera o desgaste de materiais e pode reduzir significativamente a vida útil das construções quando não há especificações adequadas desde a fase de projeto.

Para o engenheiro civil Leonardo Ricardo Bonito, que atua há mais de 12 anos no setor da construção civil, um dos erros mais frequentes é subestimar a ação contínua da maresia sobre a estrutura do imóvel.

“O ambiente litorâneo acelera processos de corrosão e desgaste de metais, compromete rejuntes, revestimentos e reduz significativamente a durabilidade de diversos materiais quando não existe uma especificação técnica adequada. Muitas vezes, o problema não aparece imediatamente, mas se manifesta poucos anos após a conclusão da obra”, explica.

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Segundo o especialista, a escolha dos materiais é um dos fatores mais importantes para garantir a durabilidade da construção. Estruturas metálicas, ferragens internas e acabamentos convencionais tendem a sofrer desgaste acelerado devido à elevada concentração de sal presente no ar. Para minimizar os impactos, é recomendável utilizar argamassas específicas para ambientes agressivos, sistemas de proteção anticorrosiva, metais apropriados para áreas litorâneas e revestimentos com baixa absorção de água.

Outro desafio recorrente está relacionado à movimentação estrutural provocada pelas variações térmicas e pela umidade constante. Pisos e revestimentos podem sofrer dilatações frequentes, aumentando o risco de desplacamentos, fissuras e infiltrações ao longo do tempo. Nesse cenário, a qualidade da execução torna-se tão importante quanto a escolha dos materiais.

“Grandes formatos exigem nivelamento preciso, paginação estratégica e sistemas corretos de assentamento. Não se trata apenas de estética, mas de desempenho técnico e durabilidade da obra”, afirma Bonito.

Para o engenheiro, a economia obtida com materiais inadequados ou mão de obra não especializada costuma se transformar em gastos elevados de manutenção no futuro. Por isso, projetos localizados em regiões litorâneas exigem planejamento detalhado, conhecimento técnico específico e soluções construtivas compatíveis com as condições ambientais. Mais do que garantir beleza e integração com a paisagem, construir próximo ao mar significa projetar pensando na resistência ao tempo.

Quando engenharia, arquitetura e especificação técnica caminham juntas, é possível preservar o valor do imóvel, reduzir custos de manutenção e garantir uma vida útil muito maior para a edificação.

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