O imóvel deixou de ser o produto; agora é o bairro

Redação ImobiPress

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Publicado em 10/08/2026 às 12:40 / Leia em 4 minutos

Levantamentos nacionais e tendências globais apontam o avanço de projetos que integram moradia, comércio, serviços, mobilidade e lazer, reposicionando o bairro como parte do valor do empreendimento.

Investidores e incorporadoras ao redor do mundo vêm priorizando projetos urbanos capazes de integrar moradia, trabalho, comércio, serviços, educação, lazer e mobilidade. O relatório Emerging Trends in Real Estate® Global Outlook 2025, publicado pela Urban Land Institute (ULI) em parceria com a PwC, aponta que investidores vêm priorizando projetos capazes de responder às transformações demográficas, econômicas e urbanas, com maior atenção à qualidade dos lugares e à adaptação das cidades às novas formas de viver e trabalhar.

Na mesma direção, o The Global Business Districts Attractiveness Report 2025, elaborado pela EY em parceria com a ULI, mostra que distritos urbanos que combinam usos residenciais, comerciais e espaços públicos de qualidade têm ampliado sua atratividade diante das mudanças provocadas pelo trabalho híbrido e pelas novas expectativas de moradores e empresas.

No Brasil, esse movimento já aparece na expansão dos bairros planejados. Levantamento da Idealiza Cidades identificou ao menos 52 bairros planejados privados lançados no país desde 2010. A média de lançamentos passou de aproximadamente um projeto por ano na década de 2000 para cinco por ano entre 2020 e 2025, período em que 29 novos bairros foram lançados. Os dados indicam que o mercado vem ampliando os investimentos em empreendimentos que integram moradia, comércio, serviços e infraestrutura urbana em um mesmo território.

Durante décadas, a decisão de compra de um imóvel esteve fortemente associada à metragem, ao número de dormitórios e à infraestrutura do condomínio. Hoje, fatores como tempo de deslocamento, mobilidade, acesso a serviços e a possibilidade de realizar atividades cotidianas sem depender do automóvel passaram a ocupar um espaço crescente na decisão de compra. Na prática, o mercado imobiliário deixou de competir apenas por metros quadrados.

O bairro passou a desempenhar um papel cada vez mais relevante na percepção de valor do imóvel, ampliando o peso de fatores como mobilidade, acesso a serviços, comércio, áreas verdes e integração urbana na decisão de compra.

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O imóvel deixou de ser o produto

Essa mudança representa uma nova etapa na evolução do mercado imobiliário brasileiro.

Na década de 1970, surgiu um modelo de bairro planejado voltado principalmente à segurança e ao planejamento urbano. Nos anos 1990, a expansão dos condomínios horizontais fechados consolidou a busca por privacidade. Entre os anos 2000 e 2010, os condomínios-clube dominaram boa parte dos lançamentos residenciais ao oferecer estruturas completas de lazer dentro dos empreendimentos.

Agora, o mercado amplia novamente essa lógica. Em vez de concentrar a experiência exclusivamente dentro dos condomínios, incorporadoras ampliam o investimento em bairros planejados de uso misto, capazes de reunir moradia, comércio, serviços, trabalho, educação, mobilidade, áreas verdes e espaços públicos qualificados. O diferencial competitivo deixa de estar apenas na infraestrutura privativa e passa a ser a possibilidade de resolver a rotina a poucos minutos de casa.

A mudança dialoga com conceitos internacionais de planejamento urbano, como a chamada “cidade de 15 minutos”, que propõe aproximar as principais necessidades do cotidiano da residência, reduzindo deslocamentos e estimulando uma ocupação urbana mais conectada.

O que ganha valor agora é o tempo

Mais do que ampliar áreas de lazer privadas, a nova geração de projetos busca devolver um recurso cada vez mais escasso: o tempo.

Resolver a rotina sem depender de longos deslocamentos, caminhar até serviços essenciais, frequentar áreas verdes, encontrar comércio próximo e utilizar espaços públicos de qualidade passam a representar atributos tão ou mais relevantes do que academias, piscinas ou salões de festas.

Para o mercado imobiliário, essa mudança representa uma alteração relevante na lógica de desenvolvimento dos empreendimentos. O diferencial competitivo deixa de estar restrito ao edifício e passa a incluir a capacidade de construir bairros capazes de concentrar serviços, mobilidade, áreas verdes e espaços públicos, atributos que influenciam diretamente a decisão de compra e o valor percebido do imóvel.

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