Em leilões de imóveis, ofertas com desconto exagerado, páginas parecidas com sites oficiais e pressa para pagamento estão entre os sinais que exigem atenção
A compra de imóveis em leilões atrai cada vez mais brasileiros em busca de casas, apartamentos e terrenos abaixo do preço de mercado. Junto com a procura, crescem as tentativas de golpe. Criminosos criam páginas falsas, copiam a identidade visual de empresas conhecidas e anunciam bens com preços muito atrativos para induzir pagamentos rápidos.
No golpe do falso leilão, os criminosos simulam páginas legítimas, oferecem bens abaixo do mercado e pressionam a vítima a transferir valores para garantir a compra. A Serasa alerta que esses sites costumam imitar empresas reconhecidas e usar endereços eletrônicos parecidos com os originais.
Para Thaisline Silva, especialista em crédito para imóveis de leilão, o primeiro cuidado é começar a busca em fontes oficiais.
“O lugar mais seguro para buscar imóveis é no próprio site oficial da empresa. É ali que a pessoa encontra a lista de imóveis e segue para as informações corretas”, afirma.
O preço baixo demais pode ser isca
O principal atrativo usado por golpistas é o desconto. Páginas falsas anunciam imóveis com valores muito abaixo do mercado e criam senso de urgência para que a vítima não pesquise com calma.
No leilão, oportunidade existe, mas oportunidade verdadeira tem edital, leiloeiro oficial, regras claras e caminho verificável”, diz Thaisline.
A Febraban orienta o consumidor a desconfiar de sites de leilão com preços muito abaixo do esperado, conferir o CNPJ, pesquisar a empresa em sites de reclamação, observar os sinais de segurança no navegador e nunca transferir dinheiro para contas de pessoas físicas. Para a especialista, a pressa é o fator que mais expõe o comprador.
“Golpe se alimenta da ansiedade. A pessoa vê um imóvel barato, acha que vai perder a chance e paga sem conferir a origem”, afirma.
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Como conferir se o caminho é oficial
A orientação é acessar diretamente o ambiente oficial do banco e consultar a lista de imóveis ou o calendário de leilões.
“Se a pessoa está olhando um imóvel de determinado banco, ela precisa conferir no site oficial do banco. Não é para sair clicando em link que chegou por mensagem, anúncio patrocinado ou grupo de WhatsApp”, orienta Thaisline.
Ela também recomenda checar a lista de leiloeiros oficiais antes de qualquer cadastro ou pagamento.
O Tribunal de Justiça de São Paulo mantém alerta sobre golpes que usam o nome, o logotipo ou informações de instituições públicas para enganar cidadãos, inclusive por meio de falsos sites de leilão. O TJSP orienta consultar a lista pública de leiloeiros e conferir se o endereço do site corresponde exatamente ao do leiloeiro cadastrado, já que criminosos usam URLs muito parecidas. Recomenda, ainda, registrar boletim de ocorrência caso a fraude tenha sido consumada.
Sinais de alerta antes de pagar
Entre os principais sinais de risco estão erros sutis no endereço da página, ausência de dados claros do leiloeiro, pressão para pagamento imediato, boletos ou contas em nome de pessoa física, descontos exagerados, atendimento apenas por WhatsApp e falta de edital completo.
“Leilão verdadeiro não depende de conversa escondida. Tem edital, tem regra, tem leiloeiro, tem informação pública”, afirma Thaisline.
A especialista lembra que a fraude pode parecer sofisticada, com fotos reais, identidade visual profissional e informações copiadas de anúncios verdadeiros.
“Hoje, o golpe não vem mais com cara de golpe. Por isso a checagem precisa vir antes de qualquer pagamento”, diz. Uma prática recomendada por ela é não decidir no mesmo dia em que encontrou o anúncio. Antes de dar lance ou transferir qualquer quantia, o comprador deve checar o imóvel na plataforma oficial, conferir o edital, validar o leiloeiro e pesquisar a reputação da empresa.
Cuidado também com intermediários
Outro ponto de atenção é a promessa de facilitar a compra fora dos canais oficiais. Segundo Thaisline, compradores iniciantes podem ser atraídos por pessoas que se apresentam como intermediárias e prometem reserva, prioridade ou condição especial.
“Se alguém promete caminho fácil, reserva por fora ou pagamento antecipado sem conferência, acenda o alerta”, diz.
Ela ressalta que profissionais podem orientar o comprador, mas a operação precisa ser rastreável e baseada em documentos oficiais.
“O comprador tem que saber onde está o imóvel, quem conduz o leilão, qual edital rege aquela venda e para quem está pagando”, afirma.
Para a especialista, a prevenção começa antes mesmo de escolher o imóvel, quando o comprador aprende a navegar pelos canais corretos e a distinguir anúncio, leilão, venda online e licitação aberta.
“Antes de procurar o desconto, procure a fonte. Seguindo os caminhos oficiais, a operação é segura”, conclui.