De acordo com especialista o conceito da base neutra pode ser compreendido como o pano de fundo que permite a aplicação das demais cores que constituem o ambiente
Quem acompanha o universo da arquitetura e decoração já deve ter notado a recorrência da expressão base neutra nos projetos. Mesmo não sendo especialista, não é difícil compreender que a referência a essa paleta atua como apoio para a constituição do ambiente.
“O conceito como um pano de fundo para a aplicação das demais cores que estarão representadas por meio do mobiliário e outros recursos como itens decorativos e obras de arte. O objetivo é justamente o de permitir que essa composição receba o destaque pretendido desde a execução do projeto”, explica a arquiteta Isabella Nalon.
Ainda de acordo com ela, a base neutra não se restringe à designação de cores, mas também agrega a especificação de materiais naturais, o emprego de texturas e um design clean e proporcional às medidas do espaço. Entenda mais sobre esse universo:
Cores
Nem sempre a cor predominante de um ambiente tem a proposta de chamar a atenção. Pelo contrário: ao passar ‘despercebida’, ela atua como o elo capaz de conectar materiais, valorizar o mobiliário e criar a atmosfera que sustenta essa conciliação. É esse papel silencioso que caracteriza a chamada base neutra.
Durante décadas, branco, bege e cinza se consolidaram como as escolhas que eliminam o risco de errar. De fato, a baixa saturação cromática que essas nuances entregam ao ambiente corrobora com a busca de um pano de fundo.
Mas esse não é o único motivo para eleger essas cores. Segundo ela, essa preferência foi construída porque oferecem segurança visual, são fáceis de combinar, transmitem equilíbrio, são atemporais e dialogam com diferentes estilos arquitetônicos.
“Entretanto, limitar a neutralidade apenas a essas cores significa ignorar outras possibilidades capazes de exercer exatamente a mesma função. A neutralidade não está ligada à ausência de cor, mas à sua capacidade de dialogar com diferentes elementos”, comenta a profissional que é super a favor de buscar novas possibilidades.
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A neutralidade está no comportamento da cor
Para a arquiteta, uma base neutra deve proporcionar unidade, organizar visualmente o ambiente e permitir que mobiliário, obras de arte, tecidos e objetos protagonizem sem comprometer a harmonia. No seu entendimento, a arquitetura nos dias de hoje exalta o acolhimento, identidade e emoção.
“Por isso, não faz sentido pensar em ambientes completamente apagados e sem personalidade”, analisa.
Materialidade reforça o conceito
Em sua visão, a cor nunca atua sozinha e sua relação com os materiais é determinante para construir uma base neutra duradoura. Madeira natural, pedra, linho, algodão, palha, cerâmicas artesanais e revestimentos com aspecto manual enriquecem o arranjo ao acrescentar textura, profundidade e pequenas imperfeições que aproximam a arquitetura da natureza.
“Quando a base é bem construída, ela continua permitindo inúmeras transformações ao longo da vida do ambiente. Na verdade, uma base neutra colorida, oportunamente, oferece mais possibilidades que um fundo completamente branco, uma vez que adiciona uma camada de personalidade e acolhimento sobre a qual diferentes contextos podem acontecer”, conclui.