Crédito imobiliário mais restrito impulsiona reformas residenciais

Redação ImobiPress

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Publicado em 23/06/2026 às 14:43 / Leia em 4 minutos

A queda no crédito imobiliário e a expansão do financiamento para reformas estão mudando o padrão de consumo de moradia no Brasil, com migração da compra de imóveis para melhorias residenciais.

A desaceleração do crédito imobiliário está mudando a forma como os brasileiros investem em moradia. Em vez da compra de novos imóveis, cresce a procura por reformas, melhorias e valorização das residências já existentes. 

Levantamento da JoomPro, a primeira plataforma B2B cross-border de ponta a ponta, baseado na análise de subcategorias de Construção & Melhorias para Casa no Mercado Livre, de maio de 2025 a maio de 2026, identificou forte avanço em segmentos ligados à reforma residencial. A análise foi realizada com base em 12 mil SKUs, representando os principais anúncios do Mercado Livre monitorados pela plataforma e apresentou forte crescimento nas seguintes categorias:

  • Torneiras para banheiro: crescimento de 28% em relação ao ano anterior, representando um aumento de R$ 18,8 milhões em vendas.
  • Vasos sanitários: crescimento de 232% em relação ao ano anterior, representando um aumento de R$ 11,2 milhões em vendas.
  • Papel de parede: crescimento de 56% em relação ao ano anterior, representando um aumento de R$ 5 milhões em vendas.
  • Acabamentos e revestimentos para pintura: crescimento de 119% em relação ao ano anterior, representando um aumento de R$ 980 mil em vendas. 

O movimento coincide com uma importante mudança de política pública. No início de 2026, o governo federal ampliou o programa Reforma Casa Brasil, operado pela Caixa Econômica Federal, um programa de R$ 40 bilhões voltado ao financiamento de materiais e mão de obra para reformas residenciais. O limite de crédito passou de R$ 30 mil para R$ 50 mil por família, as taxas foram reduzidas para 0,99% ao mês e o prazo de pagamento foi ampliado para até 72 meses. 

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Somadas a uma injeção adicional de R$ 37 bilhões decorrente de mudanças nas regras de financiamento com recursos do FGTS, essas medidas representam uma das maiores expansões de crédito já vistas no segmento de reformas. Famílias com renda mensal de até R$ 13 mil agora podem participar do programa. 

Enquanto isso, dados da Abecip mostram que o financiamento imobiliário com recursos da poupança caiu 20% em número de unidades financiadas e 18% em volume financeiro. Embora o crédito habitacional deva voltar a crescer, com projeção de até 16% em 2026, essa recuperação tende a ocorrer cada vez mais por meio de reformas e melhorias, e não pela compra de novos imóveis.

“Um dado relevante sobre o setor de construção é que, embora o mercado apresente um crescimento baixo ano após ano, existem oportunidades significativas em subcategorias impulsionadas por mudanças no comportamento do consumidor”, afirma Eleonora Capovilla, Head de Categoria da JoomPro. 

Atualmente, completa a executiva:

“Observa-se uma tendência de maior foco em pequenas reformas e melhorias residenciais, em detrimento de grandes projetos de construção ou da aquisição de novos imóveis. Como resultado, categorias relacionadas à renovação e valorização do imóvel, como banheiros, torneiras, revestimentos e pisos, vêm registrando crescimentos expressivos ano contra ano. Esse movimento indica uma mudança estrutural no perfil de consumo: os clientes estão priorizando investimentos na melhoria, modernização e manutenção de seus imóveis atuais, em vez da compra de novas propriedades. Esse comportamento cria oportunidades relevantes para empresas posicionadas em segmentos voltados para reforma e construção”.

Neste sentido, “produtos voltados para transformações rápidas dos ambientes se encaixam perfeitamente no momento atual do mercado. Os consumidores buscam soluções práticas, com resultados visíveis em pouco tempo”, acrescenta Capovilla.

Assim, na visão da executiva, os segmentos de faça-você-mesmo (DIY), produtos de acabamento e organização residencial tendem a concentrar as maiores oportunidades de crescimento, pois os consumidores procuram conveniência, preços competitivos e soluções que possam ser implementadas rapidamente — um insight valioso para todas as empresas que atuam nesse mercado.

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