Vendas avançam no primeiro semestre e diferentes fontes de recursos sustentam a expansão do financiamento habitacional
Mesmo com os juros elevados, o mercado imobiliário brasileiro manteve crescimento no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC. O resultado ocorre em meio à expansão do crédito habitacional, com diferentes fontes de recursos sustentando a demanda.
Especialista em financiamento imobiliário, Murilo Arjona explica que o crescimento das vendas não significa que o crédito tenha ficado mais barato. O financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinado à aquisição de imóveis chegou a R$ 67,2 bilhões, alta de 12% no primeiro semestre. Considerando aquisição e construção, o volume alcançou R$ 93,7 bilhões, crescimento de 29%.
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O movimento também foi impulsionado pelos recursos do FGTS. Segundo a Abecip, o crédito imobiliário total somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 23%. As concessões com recursos do FGTS, principalmente por meio do Minha Casa, Minha Vida, avançaram 22%, acima dos 12% registrados pelo SBPE na aquisição de imóveis.
“O mercado continuar crescendo mesmo com juros altos mostra que existe demanda, mas também mostra que o financiamento imobiliário hoje não depende de uma única fonte de recursos. SBPE, FGTS e outras alternativas ajudam a manter o crédito circulando e sustentam diferentes perfis de compradores”, afirma Murilo Arjona.
Para o especialista, a ampliação das fontes de recursos ajuda a explicar a movimentação do setor e reforça que, mesmo em um cenário de Selic alta, o crédito imobiliário continua atrativo. A demanda aquecida mostra que muitos compradores seguem encontrando oportunidades e preferem antecipar a aquisição, em vez de aguardar uma eventual redução dos juros.
“Mesmo com a Selic alta, o crédito imobiliário continua atrativo. Quem espera apenas a queda dos juros pode encontrar imóveis mais caros no futuro, porque a melhora das condições tende a aumentar a procura. Costumo dizer que hoje é o segundo melhor dia para comprar seu imóvel: o melhor foi ontem e o pior será amanhã”, explica Murilo.
A combinação entre o crescimento das vendas e a expansão das concessões indica que a demanda por imóveis permanece relevante mesmo diante dos juros elevados. Para quem pretende financiar, o cenário mostra que adiar a decisão apenas à espera de uma Selic menor também tem um custo, já que o aumento futuro da procura pode elevar os preços dos imóveis.