Dados da plataforma HomeLight apontam o impacto financeiro de blue spaces. Em Tijucas (SC), na região com maior valorização do metro quadrado brasileiro, bairro-cidade que aplicou o conceito registra valorização de 80% em 12 meses
O mercado imobiliário global começa a precificar um novo modelo imobiliário urbano: os Blue Spaces (Espaços Azuis). O termo, utilizado em pesquisas acadêmicas para definir áreas planejadas com presença de água (lagos, rios e espelhos d’água), se tornou um driver de valorização. Relatório da plataforma americana HomeLight indica que imóveis com acesso direto ou vista para a água podem registrar ganhos de valor de até 250% em mercados premium. Mesmo em casos de acesso comunitário ou proximidade visual, a valorização adicional oscila entre 30% e 50%.
No Brasil, a tendência influencia o desenho de novos bairros planejados, que utilizam a água como âncora de convívio e rentabilidade. É o caso do Flores de Sal, em Tijucas (SC), o maior bairro-cidade em desenvolvimento no Sul, no litoral catarinense – região que detém 4 dos top 5 municípios com m² mais valorizado do país. A urbanizadora projetou um lago de 20 mil metros quadrados como centro de sua área de lazer. Ele ocupa 70 mil m² e reúne ainda a Praça das Águas, pistas de caminhada, áreas de lazer e convivência pensadas para uso cotidiano da população. Este foi um dos fatores que resultou em uma valorização acumulada de 80% nos terrenos da primeira fase em cerca de 12 meses.
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Além da métrica financeira dos Blue Spaces, um estudo publicado pela Escola de Arquitetura da Universidade do Sudeste da China na revista científica Land (MDPI) correlaciona áreas urbanas aquáticas à redução do estresse e à melhora na saúde mental, especialmente em idosos. A pesquisa aponta que a integração entre moradia e água estimula a permanência ao ar livre e funciona como regulador natural do sistema nervoso.
Para Luciana Pereira, diretora da Urbani Cidades, urbanizadora responsável pelo projeto, os dados de valorização refletem a percepção do comprador de que a qualidade urbanística impacta a saúde. “O lago e a Praça das Águas foram concebidos tecnicamente como equipamentos de saúde pública, não apenas decorativos. Quando o projeto cria um ambiente que incentiva a interação social e o bem-estar físico, ele gera um valor tangível. A performance de 80% de valorização em fase inicial confirma que o mercado e o investidor reconhecem que o planejamento urbano focado em ‘Blue Spaces’ e em sustentabilidade no sentido amplo se converte em liquidez e patrimônio no longo prazo”, analisa a executiva.
O Flores de Sal ocupa uma área total de 4,6 milhões de metros quadrados. A primeira fase conta com 623 lotes e destina 100 mil m² para lazer e áreas verdes. A infraestrutura segue o conceito de “cidade de 15 minutos”, integrando moradia, comércio e serviços com cabeamento subterrâneo nas vias principais e estação própria de tratamento de esgoto, visando a sustentabilidade hídrica do complexo.